Perdida de mim mesma!

06:59 Equipe Das Letras 0 Comments

É como se eu tivesse sido dividida em duas partes, e uma delas, perdida para sempre. Me perdi de mim mesma, disse Leda, aquela a quem Deus mandou dividir o corpo em duas partes e joga-lo ao mar do esquecimento.

Não é apenas dor, é uma mistura intrínseca de eterno aperto no coração com nó na garganta. É como procurar pela água em dia de calor e não encontrar, ou como ser destruída pelo frio e não encontrar abrigo, calor, nem por um segundo. 

É a constância do desespero, da desesperança, do desabrigo... É estar vivo e desejar morrer, e, ao mesmo tempo ter medo da morte, do morrer. 

Não existe nada pior, nada mais sufocante... Nada... Nada que desalente mais a vida, que seja como espinho cravado no corpo, para o qual remédio ainda não se inventou... imaginou... 

Lagrimas já nem corriam mais pelo seu rosto, pois chorar é uma forma de aliviar a dor do coração, mas para ela, a dor, não havia trégua, nem o choro lhe era permitido... Apenas sofrer, e, sofrer calada, quieta, esperando que pela misericórdia de Deus ou de quem quer que fosse, este sentimento, essa dor, chegasse ao fim... De Deus ela já não esperava mais nada (de bom), a final para dar-lhe tanta dor, ele deveria ter se esquecido dela, ou estar profundamente zangado, ou ainda pior, atarefado por demais com seus filhos que "mereciam" a felicidade. 

Gemidos inexprimíveis... Assim andava, sem alento, sem paz... Dia após dia, o esquecimento, a convivência com a dor, faziam seu coração, a metade que não estava perdida, afundar-se ainda mais no mundo inexistente dos sonhos, da imaginação, já que a realidade era dura demais para ser encarada durante um dia todo.

Aconteceu que ontem, próximo do meio dia, Leda perdeu-se de vez, perdeu-se no mais temível labirinto, o dos sonhos, da imaginação, de onde não se pode voltar, regressar, pois é melhor se perder nos sonhos, que mesmo não sendo reais, são melhores que a trevosa realidade, trevosa e dolorida realidade...

Numa destas noite, na companhia de Leda. 
Por: Patrick René

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