Um texto para ninguém ler!
“O tambor faz muito barulho mas é vazio por dentro.” (Barão de Itararé)
Escrevo este texto, já passa do meio dia, lá
fora venta forte, chove... Aqui dentro, não faz frio, a voz do querido Marne
Barcelos na Rádio Pampa, toma conta do escritório, ao que fala sobre a
irresponsabilidade de se dirigir embriagado. Concordo com ele, e sigo meu
texto.
Hoje a exatos 50 anos, a cabeça do
presidente John Fitzgerald Kennedy, explodia nos Estados Unidos em 1963. Também
em 22 de novembro do mesmo ano, os Beatles lançavam seu segundo álbum. Em 1718
neste mesmo dia, também falecia Barba Negra, o mais famosos pirata britânico.
Hoje também é dia do músico, e para os católicos romanos, dia de Santa Cecília.
Nisso tudo, uma pausa para brigar com a
Flora (minha cadela vira-lata) que voltou toda embarrada, e claro, tive de dar
banho nela, enquanto ela escutava um sermão e compreendia de orelhas baixas.
Não que ela não vá fazer isso novamente, mas...
A bem da verdade, até aqui estou apenas
enrolando, sim, tenho o assunto para escrever, mas, como acontece, não flui.
Uma amiga, Mônica Bayeh, sempre diz que “se um acontecimento me amola, escrever
me consola”, sendo assim, preciso escrever, mesmo que seja para ninguém ler.
Este texto não ficará bom. Definitivamente, não vai prestar! Se fosse você, não
passaria deste parágrafo. Depois também nunca falei que era escritor, então...
Revirando alguns livros, procurando um
assunto, não me canso de dar de cara com o livro de Elisabeth K. Ross, que fala
sobre a morte e o morrer, mas sei que ainda não é o momento de falar sobre
isso. Tudo tem seu tempo. Olho para cima e vejo a obra prima da minha amada
amiga Jane Di Lello, uma autobiografia como poucas, de um brilhantismo
maravilhoso. Mas não, quero postar aqui um texto de autoria da própria Jane...
A capa cor de laranja com preto de Toda Poesia de Paulo Leminski me chama
atenção, abro o livro e me deparo com o seguinte verso:
"você
que a gente chama
quando gama
quando está com medo
e mágua
quando está com sede
e não tem água
você
só você
que a gente segue
até que acaba
em xeque
ou em chamas
qualquer som
qualquer um
pode ser tua voz
teu zum-zum-zum
todo susto
sob a forma
de um súbito arbusto
deixo solto
céu revolto
pode ser teu vulto
ou tua volta"
Bem, então se você leu este texto até aqui,
merece algo um pouco melhor, ai inicio a fala sobre a frase do Barão de
Itararé, sobre o tambor, que mesmo sendo instrumento que produz muito barulho,
som alto, é, entretanto, vazio por dentro. Na existência humana, convivemos
diariamente com muitos problemas, ou estamos em um tumulto interno existencial,
onde não sabemos por onde começar a organizar as prateleiras de nossas vidas, e
isso é demasiadamente desesperador, mas faz parte da vida e do viver, ou,
também em contraponto, encontramo-nos com nossas prateleiras vazias, ocas, sem
absolutamente nada dentro, nem bagunça nem organização, apenas o vazio.
Falava esta semana com uma amiga, a qual me
confidenciava que mais triste do que os momentos que passou tentando organizar
sua vida, são os momentos atuais onde a bagunça sumiu, mas deixou apenas o
vazio. E agora, o que fazer?
O fato incontestável é que a vida muda a
cada momento, que as perspectivas se renovam, que a roda gira, e que o novo
pode se fazer novo em um ciclo cada vez menor. Estar preparado para as mudanças
do dia-a-dia, deve ser, sim, sem dúvida, um de nossos maiores desafios. Um
verso, não me recordo de quem, diz que “muda que quando a gente muda o mundo
muda com a gente, a gente muda o mundo na mudança da mente, e quando a gente
muda, ninguém manda na gente...” – Não é verdade?
Acho que o vazio se preenche com bagunça!
Sim! Pode até parecer estranho, mas, pense em uma mudança de casa, quando entra
na casa nova, espalham-se os móveis e demais pertences por toda a casa, e
quando chega alguém, dizemos logo “Não repares a bagunça”, pois a organização
virá com o tempo, antes dela vem a bagunça. Sei que não estou sendo muito claro
hoje, mas, falar sobre o vazio é complicado, ainda mais justamente quando
estamos tão cheios, e, ainda tão bagunçados, mas estar vazio, ai sim, é muito
pior.
Aconselhei esta amiga, a fazer novamente uma
bagunça dentro de si, de encher novamente a casa com móveis, objetos,
pertences, virar todas as caixas, buscar todas as emoções, as recordações, as
boas e más, as que trazem dor e também alegria, mas que trouxesse todas a tona,
para fazer uma verdadeira bagunça, quanto a arrumação? Bem esta fica para
depois, melhor coração bagunçado, que vazio.
Acho que ela fez isso, virou as caixas,
abriu as sacolas, trouxe de volta as lembranças, e, claro, deixou seu coração
virar de novo uma enorme bagunça, e acredito, creio que ela esteja feliz, por
estar em meio a tanta bagunça, do que outrora quando se encontrava em meio ao
vazio.
O deserto não é um lugar feliz. Uma
geladeira vazia, não serve para nada, um rádio mudo...
O vazio é assim, deixa a vida branca, e vida
sem cor é mesmo que a morte, não tem serventia, é estar morto estando vivo.
Então deixa a vida correr mesmo que bagunçada, quem sabe, desta enorme bagunça,
não surja, quando menos se espera, a tão sonhada felicidade.
Aos vivos, as bagunças, a esperança e ao
futuro, um brinde! Sem medo de ser feliz!
Patrick René

Que bom que meu amigo amado está aprendendo mais sobre o vazio existencial e nao deixar o vazio olhar par dentro de ti mesmo.
ResponderExcluirNietzsche tinha razão amigo.
Nas confrontações ha demonstrações, nem que seja para nós mesmos. mesmo que esperemos que ninguem possa ler.
É assim que nós, seres mortais iremos ler, e nos defrontaremos, ai sim com o que ainda existe de vazio a ser preenchido por algo que temos quebuscar.
De uma forma ou de outra,
Amo sua sensibilidade assim como amo voce bom amigo.
Beijos sábios nesse coração sensível.
Borto!
Gratidão príncipe Patrick!
ResponderExcluirMeu livro em sua estande, ser citado por você, e o melhor chegar ao fim de tão inteligente texto. Que é para ninguém ler!
Que profundidade! Que sensibilidade!
Aos vivos, as bagunças, a esperança e ao futuro, um brinde! Sem medo de ser feliz!
"Tin-Tin"
Mimos e BeiJaness em teu coração.
Jane Di Lello.
Se no mundo, Deus colocou uma pessoa e disse: "Por esta pessoa, todos a quem Eu permitir conhecer, tornar-se-ão, por ela, apaixonados" - Essa pessoa é você minha amada amiga. Ser de alma linda... Ser de mente brilhante... Ser que sabe o que é viver sem medo de ser feliz... Com todo meu carinho... Amada, amiga, Jane!
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