O Chile apagou sua estrela!
“O “Si se puede” – Sim é possível, não é a
vitória, a presidência, o congresso, o “Si se puede” são as pessoas.”
(Evelyn Matthei)
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| Evelyn emocionada agradecendo os apoiadores |
Eu
gostaria de ter escrito este texto bem antes, já no sábado, dia 14 quando
retornei do Chile, onde estive por 5 dias, em uma experiência sem igual,
colaborando na campanha presidencial de Evelyn Matthei, candidata de direita,
conservadora, e que representava sobre todos os aspectos uma ruma de esperança
para o povo chileno. No domingo (15), ocorreram as eleições, onde Evelyn foi
derrotada com grande diferença pela candidata socialista, Michelle Bachelet,
que em outros tempos já havia governado o Chile.
Mesmo
gostando muito de política, não costumo escrever sobre isso aqui no blog, e não
é bem sobre política que escrevo hoje, mas sim sobre esperança, sonhos e a
forma com que muitas vezes jogamos as coisas boas no lixo.
Chegando
no Chile, me pego surpreendido com a indiferença da população pela disputa
presidencial. Confesso que fui pego de surpresa! Nas rodas de conversa os
assuntos variavam desde as festas de final de ano, a copa libertadores, o
tempo, mas em nenhuma se comentava sobre a corrida presidencial. Traduzi essa
apatia do povo chileno em uma desilusão maciça pela política e pelos rumos do país.
Depois
de me instalar e ser apresentado a algumas pessoas, que hoje posso chamar de
amigos, fomos até o comando central da campanha de Evelyn, em Santiago, onde
minha visão sobre política começava a mudar... Via ali pessoas apaixonadas por
seu país, zelosas, e, principalmente, extremamente preocupadas com o futuro de
seu país. Verdadeiros patriotas. Confesso que de certa forma senti vergonha,
pois muitas vezes me deparando com as imensas maracutaias que ocorrem no
Brasil, já cheguei a “desdenhar” de alguma maneira de nossa nação. De um jeito
ou de outro todos nós já fizemos isso, quem nunca disse: “Esse país não tem
mais jeito!”?
Naquele
lugar haviam pessoas conscientes de que ganhar as eleições seria algo
extremamente difícil, algumas até admitiam que a vitória era impossível, ao que
passei a me perguntar então, o porque aquelas pessoas estavam ali, se nem mesmo
a esperança lhes restava? O que eu estava fazendo ali?
Sai
do Brasil sabendo que Evelyn estava mais de 30 pontos atrás de Michelle
Bachelet nas pesquisas, mas nunca fui de dar bola para as pesquisas, algumas
mentem... Aquelas pessoas tentaram me explicar que não se tratava de ganhar ou
de perder as eleições, mas de mostrar ao país um pensamento, um lado, uma
vertente, de mostrar que existe um ideal, algo em que se acredita. Isso mexeu
comigo.
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| Momento de grande emoção... #SiSePuede |
O
que estava em jogo para aquelas pessoas, claro que também se tratava de ver
Evelyn presidente, mas era muito mais que isso, era mostrar que ideais estavam
sendo defendidos, mantidos e levados para a posteridade. Não defendiam pouca
coisa não, defendem ideias realmente fundamentados, valores de tradição,
família, propriedade, liberdade, e, principalmente, são extremamente gratos
pela liberdade tem.
Logo
trataram de me dizer que nossa candidata, Evelyn, estava “atirada”, sozinha,
abandonada por todos que fazem parte da “direita” chilena, a começar pelo
presidente, Sebastián Piñera, de quem se eleita Evelyn seria sucessora. Nada
proposital, mas são os jogos políticos...
Neste
ponto de minha curta viagem, já estava imensamente feliz com a modificação de
meu pensamento e do tanto que aprendi com aquelas pessoas, mas então conheci
ela, a protagonista de tudo isso, Evelyn Matthei, que definitivamente me
conquistou, minhas lágrimas arrancou, e, principalmente, me mostrou o
verdadeiro motivo pelo qual uma pessoa deve ingressar na política.
Com o
lema de campanha “Si se puede” – Sim é possível, Evelyn mostrou a que veio,
falou da importância de se manter a liberdade conquistada, da soberania da
instituição família, de manter a estabilidade econômica e de ver pessoas
felizes com seu país. O discurso de Evelyn Matthei era sem dúvida o mais
coerente, funcional, real... Michelle Bachelet possuía um discurso semelhante
ao do governo LuloDilmista, vazio, populista, quase impraticável. Vazio!
Evelyn
emocionava as pessoas, podia ver em seus olhos, a paixão que ardia pelo seu
país. Sem dúvida alguma, Evelyn Matthei era uma das mais brilhantes estrelas do
Chile. Era pois foi apagada, perdeu a corrida eleitoral, que contou com uma
abstenção superior a 50%, com mesários dormindo e um eleitorado apático. O
Chile matou sua própria esperança! – Como desejei que tivéssemos no Brasil uma
Evelyn Matthei!
As
vezes, mesmo sem saber, jogamos no lixo o que nos é oferecido de melhor... Daí
a necessidade de não se perder as chances que a vida nos dá, e de não tratar
nada com desdém, pois podemos estar desdenhando justamente daquilo que poderia
mudar as nossas vidas.
Não
gostaria que este texto fosse levado a risca com conotação puramente política,
sim sou de direita, conservador, mas não se trata disso, se trata de crer,
acreditar, que o que semeamos hoje, permanece. De alguma forma, permanece.
Evelyn
Matthei perdeu as eleições, mas o que plantou em meu coração, ficou e
permanece.
Os
que junto com Evelyn perderam as eleições, não choraram, mas empunharam ainda
mais alto a bandeira de seu país.
Na
verdade, eu ganhei as eleições!
P.S: Vale a pena assistir a despedida de Evelyn: http://www.youtube.com/watch?v=1LdqEvggkmk
Por Patrick René



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