A dor de ser usado!
"O egoísmo pessoal, o comodismo, a falta de generosidade, as pequenas covardias do cotidiano, tudo isso contribui para essa perniciosa forma de cegueira mental que consiste em estar no mundo e não ver o mundo ou só ver dele o que, em cada momento, for susceptível de servir os nossos interesses.” (José Saramago)
Acredito que poucas coisas no mundo, podem efetivamente, fazer com que um ser humano sinta-se tão mal, quanto o fato de ter sido usado por alguém em quem se confiava, amava, admirava. Não há dor maior do que descobrir o egoísmo de alguém a quem dedicamos toda nossa solidariedade, nosso empenho, uma parte de nossas vidas! Como dói sentirmo-nos traídos!
O filósofo disse que toda dor passa, passará, será levada como que pelo vento, pelo tempo… Consolação? Deve ser! Muitos dos que estiverem lendo este texto, ao refletirem sobre seu conteúdo, vão dar-se por conta de que um dia também foram usados por alguém a quem amavam ou nutriam grande carinho, lembrar-se-ão da dor que sentiram, quando parecia que tudo estava desmoronando, tudo aquilo que construímos, todos os planos que se traçara junto da pessoa, todas as confidências trocadas, os carinhos que até então pareciam recíprocos…
Fato é que este tipo de ação é primazia dos covardes, apenas estes, com seres humanos, usam e lançam fora. Os seres bons não possuem essa capacidade sórdida, de pensar apenas em si, nos seus interesses, sem darem importância aos sentimentos alheios. Este tipo de ato, egoísta, egocêntrico, pertence apenas aqueles que nasceram para no mundo, deixarem cravado um legado de tudo o que não deve ser copiado.
As vítimas, o exemplo do que não ser, do que não seguir, de que a dor da traição passa, de que o coração se cura, e de que a pesar de se tomar um tombo, não se pode deixar de acreditar nas pessoas. O mundo esta cheio de boas pessoas, é apenas uma questão de acha-las!
No final das contas, não era amor, pois amor tem que ser leve, mas nem tão leve, para que o vento não o leve.
Por Patrick René

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