Esses dedos...

16:13 Equipe Das Letras 0 Comments


Sentei em frente ao computador, é noite, faz frio, muito frio, e nada ajuda o texto a prosseguir. A culpa é deste coração apertado, que no meu caso, interfere nos dedos. São meus dedos que escrevem, o cérebro esta ocupado demais cuidando das feridas. Deixa ele lá, quieto.
Tentei, sem êxito, marcar alguns minutos com ele, o cérebro. Tudo em vão, esta ocupado demais! Ponderei que os dedos já não dão mais conta de escrever, que estão cansados, abatidos, mas a resposta que obtive, calou-me: “Os calos que deveriam estar em teus dedos, estão no coração, estou cuidando dele!” – É, ele me convenceu. Mas e quanto aos dedos? O que serão capazes de produzir?
Produzem pouco, pois embora muito menos que o coração, eles também doem. Deve ser o tal de esforço repetitivo, se é que escrever pode ser considerado um esforço?! Sendo ou não, se meus dedos pertencessem a um sindicato, certamente já estariam em greve. Como poderia culpa-los por isso? Não posso ser insensível. Até dizem por ai que nos dias de hoje, a moda mesmo, é ser durão, mas… Moda é moda, passa, e nunca segui tendências. Sempre fui meio rebelde, deve ser por isso que meus dedos aprenderam escrever, mesmo quando falta o cérebro.
E assim eles vão, guiando-se a si mesmos, em uma mesma direção, tentando ajudar o cérebro à aquecer o coração. Será em vão? Não. Quando as lágrimas que deveriam jorrar dos olhos, jorram do coração, termina recaindo sobre os dedos, enxugar as lágrimas que não correm em vão. Não são as coisas vãs que fazem chorar o coração!
Ficam os dedos a produzir, escritos para ninguém ler, letras jogadas no papel, um emaranhado de letras, que, se para nada servirem, aos dedos, ajudam na tarefa, já árdua, de fazer um pouco mais leve, o fardo já tão pesado, suportado pelo coração. Se os dedos são boa companhia? Não são não. Mas preenchem o vazio, causado por você, que é o fardo mais pesado, carregado pelo coração.
Por Patrick M. René


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