alma,

O dia em que encontrei minha alma!

13:14 Equipe Das Letras 6 Comments



Essa semana eu pude ir até o meu lugar no mundo. O lugar onde me encaixo como uma peça em um quebra cabeças de mil pedaços. Como duas partes de uma janela, ou como a tampa de determinada panela. Se fosse eu um objeto inanimado ali seria meu lugar. Fixo. Parado. Absorto em alegria e contemplação. Aquele lugar tira de mim o que existe de melhor, colore minha alma, faz brilhar meus olhos, me da alegria em viver, e me faz querer mais do que tudo estar vivo. Encanta meus olhos, estimula meu olfato, tem sabor de mel!
Acho que todos nós temos um lugar assim, em alguma parte deste imenso mundo, onde somos parte, processo, construção e emoção. Alguns tiveram como eu a sorte ou a benção de o encontrar, outros ainda procuram por ele. Todos deveriam achar. Quando ao fato de realmente acharem, bem, eu não sei. O meu esta mapeado, guardado em fotos, em memórias, e no GPS cerebral o qual nem mesmo o Alzheimer pode deletar. É onde habita o mais profundo da minha alma. O mais profundo do meu ser, dos meus segredos, das minhas memórias.
Sempre fui um apaixonado por poesia, e sempre lia nos belos versos de Camões, Leminski, Maiakovski que cada um tem seu lugar no mundo, sempre achei que fosse apenas uma expressão literária, sempre no “eu lírico”, mas na verdade temos de fato, cada um, um lugar onde somos intrínsecos a ele, pertencemos àquele lugar. Eu não sei o motivo e sinceramente não me interessa, mas é mágico, magnifico, saber que existe um quebra cabeças montado em algum lugar e você é a única peça que falta e bem, sempre estará faltando, e bem, quando você for até aquele lugar, aquele único lugar, então tudo estará completo. Eureca!
Eu já havia encontrado a minha alma quando decidi que jamais a venderia. Mas não sabia onde ela residia. Hoje eu sei! Ela mora onde eu enterrei meu coração. Ela mora onde deixei a minha vida, guardada em um pote de vidro. Ela mora depois daquela curva, logo que passa a estreita ponte, antes das videiras, onde  a água escorre por entre as pedras e de onde se pode ver muito mais do que o mundo: Se pode ver a si mesmo! 
contato@patrickrene.com.br

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6 comentários:

  1. Patrick, sempre pondo sua alma em cada parágrafo! Divino! Cada vinda até aqui é um presente, uma adorável surpresa.

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  2. Magnífico! Eu fico sem palavras, Patrick!
    Abraço. Vânia Santana

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  3. Também quero um dia encontrar minha alma. Perdi ela em algum lugar a muito tempo
    bjus Lu Brandão

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  4. Olá!
    Finalmente posso dar aqui uma olhada e uma lida. Ainda bem que encontraste o teu caminho, o teu lugar especial.

    Eu, no meu caso, não tenho nada disso. Meu eu se desmanchou há muitos anos, com a morte do meu pai. Morri com ele e renasci das cinzas, despedaçando-me a cada letra que escreva até à eternidade dos meus dias.

    Meu lar é a música, as entrelinhas, reticências, o sol, o mar, o vento, as nuvens, o respirar de olhos fechados e sorrir. O meu eu se faz de si e do que o rodeia, pertence ao que germina por dentro e renasce através dos meus olhos.

    Não tenho um lugar porque não tenho mais apenas um 'eu' para que consiga encontrar-se apenas num local. Eu sou umas reticências moldadas para cada respiração minha.

    Talvez por isso me ache tão louca, me faça e desfaça tanto a cada palavra minha.

    Enfim, loucuras infinitas...
    Um Abraço!
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  5. Levei quase dois minutos para digerir o último parágrafo porque é profundo demais!!! Parabéns pelo dom com as palavras ! Seu texto me levou a momentos únicos que tive em Jacksonville, Flórida. Main Street Bridge é o meu lugar secreto, de repouso, de consolo, de me ligar ao meu eu.

    Ótima semana!

    Gisley Scott -Blog Querido Deus obg por me exportar

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  6. Todo mundo um dia se encontra... texto profundo Patrick, incrível. Parabéns!

    www.meiahoraemparis.com.br

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