Para que serve a luz que não acende?
“Para o corpo doente é necessário o médico, para a alma, o amigo: a palavra afetuosa sabe curar a dor.”
(Menandro – Comediógrafo grego, 342-291 a.C)
Afeto deriva do latim AFFECTIO, “relação, disposição, estado temporário, amor, atração”, da raiz de AFFICERE, “fazer algo, agir sobre, fazer, manejar”, de AD, “a”, mais FACERE, “fazer”. Trata-se de um verbo com amplos significados.
Já estamos no inverno, faz frio no sul, pode ser este o motivo de que também tenham sido congelados alguns corações, que com o passar dos dias vão ficando cada vez mais frios, cinzas, mortos.
Falta quase tudo… Cor, amor, amizade, sensibilidade, tato, em fim, falta tudo aquilo que deveria ser inerente a um “ser” pleno, em sua condição humana. De certa forma, falta a muitos, até certa “humanidade”. Louco? Pode ser!
O fato é que o mundo esta carente, desesperado de um pouco de “afeto”. Traduza-se afeto por carinho, gentileza, por um simples abraço (gosto muito de abraços, qualquer hora vou escrever sobre seu poder!), um aperto de mãos, um olhar terno, em fim, afeto, é o que falta em meio a corações petrificados, justamente pela falta deste, o afeto. Estamos morrendo de frio! Não do frio que congela o corpo, mas daquele que faz morrer o coração. Não se pode aquecer a alma com fogo, cobertores, lã… Afeto!
Como é triste estar morrendo de frio e não largar o cubo de gelo que seguramos, e que por consequência esta nos matando! Quão triste pode ser, deixar o coração morrer por falta de um pouco de carinho, mas preferir que ele morra, a dá-lo aos outros. Sim! Loucura!
‘ saudade do futuro que não houve
aquele que ia ser nobre e pobre
como é que tudo aquilo pôde
virar esse presente poder
e esse desespero em lata?
pôde sim pôde como pode
tudo aquilo que a gente sempre deixou poder
tanta surpresa pressentida
morrer presa na garganta ferida
raciocínio que acabou em reza
festa que hoje a gente enterra
pode sim pode sempre como toda coisa nossa
que a gente apenas deixa poder que possa’
( Paulo Leminski – Toda Poesia – Companhia Das Letras)
Por Patrick René

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