alma,
Eu deveria ser no mínimo prudente e nunca mais tornar a escrever. Sinto-me um ultraje. A bem da verdade o desânimo tomou conta de mim de tal maneira que prostrou-me no chão, fez-me comer poeira, riu-se de mim e deixou-me atirado as traças. Quanto as traças? Bem, nem mesmo elas dignaram-se a devorar o nada que me tornei.
contato@patrickrene.com.br
Eu: Uma prostituta. Apenas isso!
Eu deveria ser no mínimo prudente e nunca mais tornar a escrever. Sinto-me um ultraje. A bem da verdade o desânimo tomou conta de mim de tal maneira que prostrou-me no chão, fez-me comer poeira, riu-se de mim e deixou-me atirado as traças. Quanto as traças? Bem, nem mesmo elas dignaram-se a devorar o nada que me tornei.
Como
pude me render ao mundo? Fui prostituta sem se quer dar-me conta disso! Vadia!
Sim. Muito pior que qualquer cortesã ou meretriz que se venda por muitos ou
poucos tostões. Sempre escrevi para quem apreciava o melhor das letras e
procurava dar o melhor que podia ao velho Times New Roman, e hoje, bem, hoje
prostituo-me por alguns milhares de clicks e um patrocinador que me elogie a
cada trinta ou quarenta dias. Uma prostituta. Apenas isso.
De
forma frenética escrevo um livro, que deve ser lançado no findar do próximo ano
como se comprasse mantimentos para o mês na sessão de enlatados. Enlouquecido
em busca do texto que tornar-se ia “Best-Seller” e apareceria na lista de mais
vendidos da Veja e do The New York Times. Uma prostituta. Apenas isso.
Escrevi,
escrevi, contei, contei, narrei, narrei e não disse nada! Absolutamente nada
além do que todos já disserem, pensaram ou fizeram, e tudo isso por que motivo?
Audiência. Clicks. Virei programa do Gugu pensando ser a Globo News. Não, fiz
pior. Pensei ser Arte1 quando não passava de MegaPix. Uma prostituta. Apenas
isso.
Um
jovem, que se tiver juízo depois de hoje jamais integrará o “rol” de escritores
do meu blog, tímida e acanhadamente me envia um texto, um prólogo e breve
introdução, onde desafia Goethe, defenestra a filosofia remanescente, diz-me
que o texto precisa de correção, faz ainda pior: Espera, eu disse, espera que
eu goste do texto. Desafia um gênio, escreve uma verdadeira “Alpen Pearl”
enquanto eu, aqui, escrevendo como uma vadia. Uma prostituta. Apenas isso.
Não
mereço mais ser lido. Nem ser levado a sério. Não mereço clicks, ne patrocínio,
não mereço se quer viver. Sou muito, mas muito pior que uma prostituta. Ana
Bolena, no céu de onde vela pelos inocentes, atribui-me culpa até por
comparar-me a uma prostituta. Eis o que sou: Nada! Apenas isso!
Não
sei, juro que não sei se passo desta noite em vida. Não deveria. Apenas ocupo lugar
e oxigênio neste mundo. Deixarei que os jovens escrevam. Eu não sou mais jovem.
Nem velho. Sou o que? Uma prostituta. Apenas isso.
Direi
o que penso em fazer e que eu tenha coragem e faça: Torne-me tal qual uma
prostituta, mas que antes disso, tomando aulas, aprenda a cobrar, cobrar caro
pelo serviço prestado. Uma prostituta. Apenas isso.
Mereço.
Eu mereço.
Sumam
daqui! Não leiam mais nada que saia das minhas mãos. Apenas cliquem nos banners
de publicidade. É meu ganha pão. O ganha pão de uma prostituta. Apenas isso.
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