Amor,

Romance de Flor e Luna

13:41 Equipe Das Letras 1 Comments


Este conto é uma homenagem ao grande cantor e compositor gaúcho, Jairo Lambari Fernandes, inspirado e adaptado de sua obra "Romance de Flor e Luna". 

O inverno já tinha ido embora, deixando para trás o frio, a geada, os campos cheios de orvalho e o vento minuano. As flores já começavam aparecer em meio a macega*, nos campo de cima de serra. Era lá que ela morava. A menina Rosaflor, filha mais moça do seu Nico, homem rico, estancieiro, criador de gado, dono de muitas terras, mas também de muita maldade. Rosaflor tinha pele clara, olhos escuros, uma menina realmente linda. Naquele lugar, era possível até mesmo confundir as flores do campo, com a menina Rosaflor, tamanha sua beleza e o encanto de Mariano.
Aconteceu num dia desses, enquanto a menina Rosaflor lavava roupas junto as pedras, que seus olhos passaram a observar Mariano, com suas pilchas já puídas, seu sorriso de pureza, sua alegria ao montar o mais bravo dos cavalos. Naquele momento, Rosaflor não via mais as roupas velhas, nem mesmo pensava em roupas, mas mesmo a distância podia ver o espírito de Mariano, sua coragem, a vida que pulsava nele, como jamais havia visto antes, em ninguém. Rosaflor já abandonou as roupas que lavava, deixara o sabão cair dentro do rio, ela não podia ver nada além do jovem que fazia com ela sentisse o que a muito tempo não sentia: Rosaflor estava viva!
Foi quando em meio ao turbilhão de sentimentos que Mariano que seria chamado assim pela última vez, caiu de cima do cavalo, sua cabeça bateu forte sobre a pedra, Rosaflor em desespero e amor, esquecendo-se de tudo pôs-se a correr, como se da vida dele dependesse a sua. Subiu ao topo da colina, seu amado caído no chão duro da estrada, havia sangue, mas seus olhos estavam abertos. Naquele momento a esperança invadiu o ser de Rosaflor, e ela sorriu, ele a viu, ele sorriu. Tomada de amor e paixão, sem lembrar que seu amado podia estar ferido, sem lembrar de quem era filha, do que poderia lhe acontecer, sem se quer imaginar o que os outros ou próprio Mariano pensaria, ela tomou-o em seus braços e o beijou como nunca antes havia feito em sua vida. Se estava quebrado, machucado, bem, disso Mariano já não se lembrava, a final, semelhante a Rosaflor ele estava apaixonado, e ainda que morresse, naquele momento, morreria de amor.
Quando finalmente falou, Rosaflor lhe disse:
- Você tem a lua nos olhos! – Ele apenas sorriu. Mas ela continuou:
- A partir de hoje, tu te chamas Mariano Luna, que é aquele que tem a lua nos olhos! – Disse isso e sorriu. Na verdade Mariano Luna se quer havia entendido o que Rosaflor havia dito, tanta era a dor em sua cabeça, mas sua voz soava tão linda, que o que quer que tivesse dito, ele aceitaria.
Rosaflor levou Mariano Luna para casa, uma tapera, feita de tábuas de madeira, chão de terra batida, com árvores a fazer sombra ao redor da casa e um pequeno catre* onde o jovem rapaz dormia. Estava ficando escuro, Rosaflor sabia que era tempo de partir. Sabia mas não partiu. Ela estava viva como nunca havia sentido, e viu que aquele era para sempre o seu lugar. Deitou-se ao lado de Mariano Luna no pequeno catre, ouvindo a noite e o vento assoviar, dormiu ali, sem pensar, não havia tempo para pensar, só havia tempo para amar.
O pai de Rosaflor disse que não tinha mais filha, jamais aceitaria de volta a menina viva que dormiu ao lado do seu grande amor. Preferia fantasmas sem vida e sem cor, mas que lhe devotassem obediência. Na verdade, seu Nico, estava morto e não sabia. Seu único sentimento era do ódio que sentia pela filha, a final, apenas ela, estava viva, e como vivia bem!
Ali ficaram os dois, Mariano Luna e Rosaflor, em sua casa de tapera, sentados debaixo da sombra do velho pinheiro, mirando as flores e a lua, com seus risos largos, diferentes dos normais. A vida havia mostrado a menina morta, que se houver amor, também haveria vida! De flor e luna se enfeitou o rancho tosco, pequeno mundo num fundão de corredor, que sem saber ficou mais claro e mais silente, depois que lua debruçou-se sobre a flor.
Ficou a estrada sem ninguém pra ir embora, e risos largos diferentes do normal, um baio* manso pastando pelo potreiro, e bombachas limpas pendurada no varal, no varal.
Mariano Luna que tinha lua nos olhos, entregou esse clarão aos olhos dela, e apagou a luz extrema que continha, da outra lua que apontava na janela. A lavadeira pouco sabia das luas, e ainda menos dos olhares que elas têm, mas descobriu então nos olhos do andante, que de amores nem as flores sabem bem... Que de amores nem as flores sabem bem... 
Veja o vídeo com a canção:









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Um comentário:

  1. Parabéns Patrick!
    Seus textos sempre fantásticos! Não deixe jamais de escrever e encantar!
    Grande abraço!

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