abraço,
Eu confesso!
As vezes a gente
precisa se confessar! Ao mesmo tempo em que batemos no peito a nossa
independência, o fato de não precisarmos dar satisfação de nossas vidas a
ninguém, temos uma vontade imensurável de compartilhar, de expressar nossos
sentimentos, mas temos vergonha. Hoje em dia não pega bem essa exposição de
sentimentalismo. Precisamos ser mais “fortes”, demonstrar suficiência,
resistência, e até frieza. Nada de ficar com muito “mi-mi-mi”.
Mas o fato é que desejamos ansiosos,
esperamos absortos o momento de podermos nos confessar, compartilhar, explanar
sobre nossos sentimentos com alguém especial, disposto a ouvir, compreender,
mimar, e depois com um sorriso no rosto, dar um afago compreensivo, mesmo que
não tenha compreendido, mesmo que não tenha concordado, mas que esteve disposto
a escutar.
O problema é que desaprendemos a
ouvir! Não temos mais esse “dom” de escutar, mas como nossa necessidade de ser ouvido
persiste, buscamos de forma desesperada os ouvidos de analistas, psicólogos,
psiquiatras, e quem mais julgarmos ter a quase obrigação de ouvir. Quando todas
as tentativas de sermos escutados são frustradas, ai então adoecemos, e como
não temos quem nos escute tomamos remédios para não falar, e ainda assim suprir
nossa necessidade de sermos escutados. – Não seria mais fácil falar? Sim! Mas
para isso também precisaríamos ouvir!
Um abraço só acontece quando duas
pessoas estendem os braços para “abraçar”. Não existe abraço “monólogo”. Ou é
mútuo, ou não é abraço. Tão difícil achar braços estendidos hoje em dia... Mas
é muito fácil achar quem procure por esses abraços. – Mas então se tem quem
procure por abraços, não seria mais fácil abraçar? Sim! Mas ai teríamos que
abraçar também.
Hoje eu queria dar um abraço, mas
não pude! Então engoli a tristeza que apertava fundo meu peito, guardei a dor,
desliguei a música que tocava e dormi. Não pude falar, não pude abraçar, então
escrevi. Se adiantou? Não! Mas se o texto render um único abraço, terá valido a pena.
Quer ouvir? Quer falar? Quer um
abraço, ou abraçar? Entendeu? Eu sim!
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