Amor,

TODA FORMA DE AMOR!

17:08 Equipe Das Letras 0 Comments


Eu não costumo dar dicas de filmes aqui no blog, até porque acredito que gosto é algo tão pessoal que dar dicas torna-se um equívoco. O que por vezes agrada uns, desagrada outros, a vida é assim. Também não vou aqui fazer uma resenha de filme, a final, existem milhares de blogs que fazem isso, e com muito mais competência. Apenas usarei de “Les Chansons D’amour”  ou “As canções do amor” como prédica deste texto.
No filme dirigido por Christophe Honoré e protagonizado por Louis Garrel, apresentam-nos em forma de musical as mais diferentes nuances do que chamamos de amor. Durante todo filme somos instigados a refletir sobre o que de fato é o amor, como se manifesta e principalmente, como se expressa por aqueles que dizem amar.
É inegável que hoje vivemos em uma sociedade que tenta de várias maneiras ditar através de suas convenções quais são as formas de amor válidas, praticáveis, aceitas, e que ao mesmo tempo em que aprova algumas, chama a si a possibilidade de reprimir ou reprovar outras. É a escala da mediocridade em escala ascendente.
Também não podemos negar que existe hoje uma banalização do termo “amor”, onde aqueles que amam, fazem seus amores durar menos do que a quantidade de parcelas do carnê do presente de dia dos namorados. Amo-te hoje, odeio-te amanhã. Não obstante vemos nas redes sociais as mais piegas declarações de amor e noutro dia as mais violentas críticas ao ser que até poucas horas atrás era amado e já deixou de ser. A fila andou, dizem.
O fato é que amor é algo realmente digno de estudos, mexe demais com a psique das pessoas, leva alguns a cometerem atos insanos, outros a suicidarem-se, e ainda outros a assassinarem e tudo isso, em nome do amor. Até que ponto é amor, até que ponto é loucura e obsessão? Como julgar? Há quem desça até o mais profundo poço de humilhação em busca do ser amado, negando-se a si mesmo, a seus próprios brios, renegando seu orgulho próprio e noutro momento, cheio de si, em um surto repentino tire a vida ou cause sofrimento a quem antes amava, e por quem rastejou-se ao chão. Mas dizem que o contrário de amor não é ódio, mas indiferença: Será?
A questão é que se estamos tão longe de ter uma explicação científica e certeira que determine e delimite de fato o que é o amor, devemos ter o cuidado de em hipótese alguma tentar chamar a si, o direito de julgar o que é, ou deixa de ser esse sentimento, ou como se deve ou não expressá-lo. No amor só quem sente é que sabe! Na vida só quem anda é que conhece!
Que deixemos de ser juízes dos sentimentos dos outros, que nos preocupemos mais com o que sentimos, e deixemos que esse sentimento tão grande que não pode ser explicado, simplesmente seja experimentado por quem quer que seja.
Encerro com alguns versos de Ferreira Gullar:

Quando você for se embora,
moça branca como a neve,
me leve.

Se acaso você não possa
me carregar pela mão,
menina branca de neve,
me leve no coração.

Se no coração não possa
por acaso me levar,
moça de sonho e de neve,
me leve no seu lembrar.

E se aí também não possa
por tanta coisa que leve
já viva em seu pensamento,
menina branca de neve,
me leve no esquecimento.

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