Amor,
TODA FORMA DE AMOR!
Eu
não costumo dar dicas de filmes aqui no blog, até porque acredito que gosto é
algo tão pessoal que dar dicas torna-se um equívoco. O que por vezes agrada
uns, desagrada outros, a vida é assim. Também não vou aqui fazer uma resenha de
filme, a final, existem milhares de blogs que fazem isso, e com muito mais
competência. Apenas usarei de “Les
Chansons D’amour” ou “As canções do amor” como prédica deste
texto.
No
filme dirigido por Christophe Honoré e protagonizado por Louis Garrel,
apresentam-nos em forma de musical as mais diferentes nuances do que chamamos
de amor. Durante todo filme somos instigados a refletir sobre o que de fato é o
amor, como se manifesta e principalmente, como se expressa por aqueles que
dizem amar.
É
inegável que hoje vivemos em uma sociedade que tenta de várias maneiras ditar
através de suas convenções quais são as formas de amor válidas, praticáveis,
aceitas, e que ao mesmo tempo em que aprova algumas, chama a si a possibilidade
de reprimir ou reprovar outras. É a escala da mediocridade em escala
ascendente.
Também
não podemos negar que existe hoje uma banalização do termo “amor”, onde aqueles
que amam, fazem seus amores durar menos do que a quantidade de parcelas do
carnê do presente de dia dos namorados. Amo-te hoje, odeio-te amanhã. Não
obstante vemos nas redes sociais as mais piegas declarações de amor e noutro
dia as mais violentas críticas ao ser que até poucas horas atrás era amado e já
deixou de ser. A fila andou, dizem.
O
fato é que amor é algo realmente digno de estudos, mexe demais com a psique das
pessoas, leva alguns a cometerem atos insanos, outros a suicidarem-se, e ainda
outros a assassinarem e tudo isso, em nome do amor. Até que ponto é amor, até
que ponto é loucura e obsessão? Como julgar? Há quem desça até o mais profundo
poço de humilhação em busca do ser amado, negando-se a si mesmo, a seus
próprios brios, renegando seu orgulho próprio e noutro momento, cheio de si, em
um surto repentino tire a vida ou cause sofrimento a quem antes amava, e por
quem rastejou-se ao chão. Mas dizem que o contrário de amor não é ódio, mas
indiferença: Será?
A
questão é que se estamos tão longe de ter uma explicação científica e certeira
que determine e delimite de fato o que é o amor, devemos ter o cuidado de em
hipótese alguma tentar chamar a si, o direito de julgar o que é, ou deixa de
ser esse sentimento, ou como se deve ou não expressá-lo. No amor só quem sente
é que sabe! Na vida só quem anda é que conhece!
Que
deixemos de ser juízes dos sentimentos dos outros, que nos preocupemos mais com
o que sentimos, e deixemos que esse sentimento tão grande que não pode ser
explicado, simplesmente seja experimentado por quem quer que seja.
Encerro
com alguns versos de Ferreira Gullar:
Quando você for se embora,
moça branca como a neve,
me leve.
Se acaso você não possa
me carregar pela mão,
menina branca de neve,
me leve no coração.
Se no coração não possa
por acaso me levar,
moça de sonho e de neve,
me leve no seu lembrar.
E se aí também não possa
por tanta coisa que leve
já viva em seu pensamento,
menina branca de neve,
me leve no esquecimento.


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