Ponto Final

16:13 Equipe Das Letras 0 Comments


“A esperança seria a maior das forças humanas, se não existisse o desespero.” (Victor Hugo)

O francês, Victor Hugo, foi na vida, de tudo um pouco. Novelista, poeta, roteirista, e um pouco filosofo, mas sua obra foi incompleta. Explico. Antes que afirmem que estou aqui tentando deturpar o legado de Hugo. Nada disso, me refiro a frase, com a qual abro este texto, onde com profundidade imensurável, nos fala sobre a força que teria a esperança, não fosse pela existência do desespero. Não nos ensinou, nem se quer deixou pistas, de como fazer triunfar a esperança, ante o desespero. Mas não foi ele quem falhou… Falhou a esperança!
Eu não gosto de mar, prefiro a serra, de onde em meio ao frio congelante, escrevo este texto. Também não me agrada o mar, prefiro o rio. Aliás, sou apaixonado por rios, seus cursos, seus mistérios, suas águas, os caminhos que precisa percorrer até chegar ao mar. Este por sua vez, é apenas um fim, entre os vários obstáculos que um rio enfrenta. Como não gosto do que é superficial, logo me atrai mais o rio que o mar. O mar pode ser muito mais profundo, sim, isso é verdade, mas o rio, este, conhece o que é a essência do ser profundo.
O rio não fica parado, sabe que precisa correr, e que, correr não será fácil, abre caminhos, contorna montanhas, desce por vales escuros, contorna obstáculos, passa por barreiras, e, no final, sempre, eu disse, sempre, de alguma forma, faz suas águas chegarem ao mar. Para o rio não existe desespero, pois em si, representa a esperança!
Não são poucas as vezes em que o desespero bate a nossa porta, e, de forma avassaladora, passa em nossas vidas como um furação, abalando as estruturas, mandando para longe toda e qualquer esperança. Olhamos para os lados e não vemos nada além do próprio desespero, que nos deixa cegos, pois é assim que fica alguém  que não enxerga mais a esperança. Cego!
Quando chegamos a este ponto, da cegueira, não podemos mais ficar no mar, por mais que gostemos de suas águas, precisamos sair, precisamos entrar no rio, e correr, contornar os obstáculos dolorosos que a vida nos impõe, descer pelos vales escuros que nos apresentam, ignorar as pedras que estão pelo caminho, e quando não for possível ignorá-las, passar por elas, levando-as embora, não importando seu tamanho. Precisamos entrar no rio, precisamos passar pelo rio, precisamos chegar ao mar, e, então, ao contemplar o sol, dar um abraço na esperança. Passamos a enxergar!
No entanto entrar no rio sozinho é muito difícil, muito mais fácil seria entrar no rio acompanhado, ultrapassar as barreiras quando se tem companhia é muito mais fácil, divide-se a dor, compartilha-se á alegria, o problema todo é justamente quando entramos no rio, para tentar esquecer quem outrora nos acompanhara… Neste caso, então, o rio torna-se ainda mais sombrio, e a necessidade de percorre-lo torna-se tão mais necessária. O correr da vida é assim…
Deve ser este, um dos piores textos que já escrevi. Culpa de Hugo? Jamais! Culpa minha, que em um mesmo amontoado de letras precisava aliviar o coração, falar de saudade, de dor, de esperança, da escuridão, do desespero e da esperança… Para quem esta lendo, pense assim: O texto é o rio, a leitura é o correr do rio, e este ponto final é a esperança.
Por Patrick M. René  

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