Vou te contar um segredo!
Eu
não acho que alguém seja capaz de compreender o bairrismo do povo gaúcho, até
que tenha passado um inverno inteiro no Rio-Grande, e que em um dia frio, de
céu nublado e vento minuano assoviando do lado de fora janela, sente-se perto
dela, de onde se enxergue as árvores e seus belos galhos embalados pelo vento,
e neste momento de profunda contemplação, encha a cuia de água bem quente, e
saboreie olhando ao longe, pelos olhos do pensamento, o futuro que assusta e
desinquieta, e dos olhos faz verter uma lágrima, e que ainda assim, esta
lágrima não seja de tristeza, mas que pelo fato de ser vertida em chão gaúcho,
seja uma gota de esperança, que escorre dos olhos de quem chora.
Falar
do Rio-Grande sempre me emociona, me faz por nas palavras um pouco mais de poesia,
sentimento... Me faz colorir o texto, como se fosse um pedaço da nossa
bandeira, hasteada bem alto, em um campo sem fim, de pastos bem verdes, com o
aroma suave, das flores de jasmim.
Cada
gole do mate é uma inspiração, uma forma diferente que vem a nossa mente, para
escrever sobre este chão. Não é fácil falar do Rio-Grande, quando se carrega na
alma a dor de um povo inteiro, povo bravo, destemido, que trabalha um ano todo,
de sol a sol, de sul a norte, para dar aos seus filhos, a esperança que escorre
pelo rosto, em forma de lágrima, apontando que o amanhã será melhor que o
agora.
Pois
afinal, e no final de tudo, é a esperança que mantém viva a alma do povo
gaúcho. Esperança de mudança, esperança de confiança, esperança de quem sonha,
que amanhã o sol nascerá de novo, e que dos campos de cima da serra, lá onde o
sol vem “cedito”, poderemos ver no esplendor da aurora, que a vida lá fora,
ainda tem muita coisa boa esperando por nós.
Eu
já nem tento mais explicar aos outros o que é a essência que nos move, que nos
impulsiona... Desisti pois mágica não se explica, não se revela, é algo
particular... O gaúcho é como uma mágica, é diferente, não pode ser decifrado,
explicado, revelado...
Não
sei se o segredo esta guardado no planalto, na serra ou na campanha, mas em
algum lugar, em algum momento, recebemos do Homem que tudo vê, um sentimento
diferente, que só mesmo quem sente, saberia explicar, se houvesse explicação.
Não
sei se esta no vento, o minuano que sopra forte como só ele... Ou quem sabe
esteja no canto dos passarinhos... Alguns dirão que esta no orvalho da manhã,
que cobre os campos de sereno, que faz o ar do gaúcho, ainda mais puro, e que é
a pintura perfeita para acompanhar um chimarrão... Ah... E pode também estar no
chimarrão, na erva mate verdinha, na água que seva o mate... Não sei... Ninguém
sabe...
O
Rio-Grande é mesmo um mistério, coisa sem explicação. O gaúcho é diferente... É
diferente porque sim, sem explicação aparente, apenas diferente. Se um dia lhe
perguntarem de onde tu vens, responda sem medo: Venho do Rio Grande do Sul, o
estado onde até o vento, guarda um grande segredo!
Patrick
René

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