Amor,
Lá vem a vida...
A
gente corre, foge, se esconde, mas a vida é insistente, ela não desiste,
procura, espreita, e no fim torna a nos encontrar. Besteira é querer se
esconder da vida, buscar um lugar onde ela não vá nos encontrar... É tirana,
impiedosa, tem raiva dos que buscam refúgio, não poupa... A ordem é encontrar e
apertar...
Apertar
a garganta que já anda sem ar, deixar ainda mais seca a boca que anseia pela
água, escurecer o mundo que a tempos já perdeu o sol, e fazer do silêncio a
única sinfonia. Essa é a vida, que não perdoa os desertores, quer de todos
prontidão e sentido, como general que convoca as tropas para batalha...
A
vida não tem pena, é cínica, diz que pena é coisa de galinha, engraçado? Só se
for para você, que não teve o último fio de esperança cortado, que não perdeu a
razão e agora vive atormentado pela emoção, do que um dia fez e até do que
deixou de fazer, é vilã, é bandida deixa em cada um uma diferente ferida...
Ferida
sem cura, isenta de tratamento, é dor que não da trégua só aumenta, dói,
machuca, doença sem cura, doença sem alívio, sem remédio, uma mistura de tudo
isso e muito tédio... Tédio e solidão, texto sem sentido, é doença da cabeça, é
crise que faz das letras o único esconderijo... Preciso fugir... Lá vem ela...
Lá vem a vida!
Patrick M. C. René
patrick.canterville@aol.com

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