Amor,
Feio, eu?
Sabe, eu acho que a maior injustiça desse mundo
não esta na diferença entre pobres e ricos, mas entre belos e feios. Riqueza e
pobreza é muito uma questão de adaptação, já beleza é uma questão de formação
moral e social, não se molda com tanta facilidade quanto o “ser” rico ou pobre.
O estigma por se ser feio é muito pior que o de ser pobre ou famélico.
Estava vendo umas fotos e pensava como era
injusto que uma pessoa fosse tão provida de beleza e outra em contrapartida tão
desprovida deste mesmo atributo. Uns ganharam da sorte ou dos céus, ou de quem
quer que seja belos olhos azuis, outros olhos castanhos, outros um queixo bem
desenhado, delineado, já alguns ganharam o pico do Everest. Alguns ganharam a
pele tal qual a dos pêssegos argentinos, outros uma coisa tão indescritível mas
que assemelha-se mais ao maracujá de gaveta. Uns nasceram magros demais, como
que esqueléticos, a se comparar com uma caveira de morfologia, e já outros
receberam tamanha abundancia de tecido adiposo que mais parecem-se com o deus
Buda.
A uns atribuiu-se cabelos sedosos,
literalmente, lindos como a seda, e outros tantos ganharam algo do mesmo
material do sabugos de milho, e pior, não do milho verde, mas do milho seco,
para pipoca. A um grupo de privilegiados deu-se orelhas pequenas, bem
desenhadas e a tantos outros asas, onde deveria ficar apenas a proteção do
aparelho auditivo, e ainda por fatalidade o mundo cinematográfico criou um
elefante, com nome de Dumbo que usa as orelhas como asas... É triste demais.
Chego a conclusão que Marx não deveria ter
criado uma teoria tão específica para “defender” os pobres e famintos, mas sim
uma teoria que privilegiasse os feios ou pouco afortunados pela beleza. Eu então,
dessa forma, seria ferrenho marxista.
Patrick M. C. René
contato@patrickrene.com.br


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