Amor,
Disseram-me
em uníssono que meus textos estavam depressivos demais. Me enchi de profundo
lamento, pensei, refleti, e bem, decidi dar a meus textos três comprimidos de
Lexotan, do original, nem genérico nem similar, mas o de referência. Tudo bem
que seja um pouco mais caro, se é para o bem dos textos...
Eu, Paris e Lexotan!
Depois
que motivos alegres não faltam para se colocar no papel... Deixe-me ver...
Acabei
dormindo, pelo efeito dos comprimidos de Lexotan, e, nossa, acordei péssimo!
Cadê meu amor de filma francês? Queria beijar tendo a torre Eiffel como fundo,
mas de fundo, apenas brancas e pálidas paredes de um quarto que de vivo, bem,
nem mesmo o telefone, mudo, silencioso, atirado sobre a mesa, coberta de
livros, muitos livros, que abarrotados de conhecimento, não me proporcionam um
grande e novo amor. Inúteis. Os livros e os comprimidos, sendo que os primeiros
são mais caros que os segundos.
Penso
que não devo mais tomar essas drogas, a final, bem, eu queria tanto qualquer
coisa a francesa, um beijo seria o supra-sumo dos desejos, mas poderia ser um
caminhar de mãos dadas pela Avenida Champs Elysées, e
quando estivéssemos bem embaixo do arco do triunfo, olhar fixo, olho no olho,
frente a frente e ter a certeza de que é amor. Mas nem isso. Nada mudou.
Continuo nesse quarto, com livros, um telefone silencioso, um abajur a meia
luz, água em um jarro de vidro e nada mais.
Mais? Menos! Tudo de menos... Amor de menos, paciência de
menos, companhias e boas conversas de menos... Aliás de mais só mesmo os
comprimidos, três?!
Disse que de uma vez por todas desistiria de escrever, mas
não cumpri com o prometido... Deve ser a crise dos vinte e tantos anos, na
verdade quase vinte e todos, pois faltam cinco para trinta, então... Ah! Penso
que quando chegar aos trinta estarei tomando não três Lexotan mas sim três
tubos daquelas pomadas para dor que duram doze horas e que nem francesas são,
pois vem da Suíça.
Suíça onde nunca terei uma conta, ou terei, não sei bem...
Essas coisas de futuro... O remédio me deixou meio louco, não? Esse texto? Vai
do nada para lugar nenhum! Pare de ler essa porcaria! Você tem mais o que
fazer! Eu não! Continuo escrevendo, como um camelo continua caminhando pelo
deserto mesmo morrendo de sede. Queria morrer de amor! Pode?
Quintana que me perdoe mas morrer de amor e continuar
vivendo não tem graça, bom é morrer e ficar morto mesmo.
Mas a morte deixo para outro dia. Por hoje só mesmo mais
três Lexotan, um gole de água e umas páginas de um livro... Boa noite? Quem
sabe?
Quem sabe? Você sabe?
Me conta?!


Eita Rene morrer de amor e continuar vivendo é bom sim...Deixe a morte pra quem não pode ou não sabe amar. E quanto aos textos melancólicos, deprimentes não leve a serio quem não consegue te sentir nas palavras meu caro, são dignos de pena quem não se deixar levar. Abraços!
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