alma,

Aos meus leitores: Vão para o inferno!

16:35 Equipe Das Letras 1 Comments


Estou velho demais, inseguro demais e rabugento demais para continuar escrevendo, devo abrir mão desse ofício para que ocupe meu lugar alguém mais jovem, alegre, esperançoso e não tão ligado a rompantes e repentes como eu.
Definitivamente perdi o talento, o pouco de tato que um dia tive para deixar as palavras mais aveludadas, com gosto menos amargo, tornei-me como vinho mal engarrafado, onde o ar penetrou pela garrafa e o tornou em vinagre. Minhas letras tornaram-se como esse vinho, onde o desalento com o mundo, as pessoas, coisas e fatos, fez a vez do oxigênio e tornou as letras amargas, azedas como o vinagre.
Já não tenho habilidade e sensibilidade suficientes para iniciar textos falando sobre o doce perfume das flores, que alimenta os espíritos dos homens pela manhã, ou do leve cair da aurora que aquece o coração dos que amam, dosando com a luz do luar o sereno que rega os sentimentos dos amantes a cada amanhecer. Para mim tudo isso tornou-se piegas demais, romântico demais, e fatalmente distante e brega demais. Não que eu tenha perdido a crença no amor, a final, não se pode perder o que jamais se teve. Amor? História que se conta para criança dormir, não para os velhos rabugentos como eu.
Aconselharei aqueles que me leem a lerem outros muito mais modernos do que eu, muito mais por dentro da tendência das letras do que eu, e por fim, mais sensíveis as letras do que eu. Aconselharei ainda que busquem escritores com uma gramática mais correta, onde não se cometam tantos desatinos com a língua mãe quanto os que eu cometo, e que, por favor, caros leitores, procurem também alguém que seja-lhes mais disponível do que eu. Alguém que lhes inspire ao romance, as paixões, e não apenas relembre com amargura as tantas e tantas agruras dessa vida.
Vão ler John Green, Kristin Hannah, ou qualquer outro que tenha vendido milhares de livros, tornado esses livros em filme, em musicais, rendido prêmios, e deixem-me em paz com meus resmungos e reclamações. Estou ultrapassado demais para criar imagens com belos fragmentos dos meu textos, a fim de que os jovens venham lê-los, nem estou disposto a mendigar um “like” nas redes sociais para receber um “click” a mais. Eu cansei. Não tenho mais paciência para escrever aos jovens e cheios de vida, pois quero escrever como velho, escrever sobre a morte, e para a morte.
Quero usar o bom e velho Times New Roman e não as fontes “Body” que estão na moda e são usadas pelos escritores de sucesso. Por isso de hoje em diante, não prometo mais qualidade alguma a quem ousar acessar esse velho blog, pois escreverei aqui somente o que minha velha e cansada alma permitir, sem ligar se a recepção dos leitores será boa ou não, pois quero que se explodam todos: Inclusive os meus leitores. Os que por ventura continuarem a sandice de ler meus textos ultrapassados, alerto-os desde já que não esperem nenhuma gratidão, nenhuma atenção, e não esperem que eu seja coerente com as letras ou algo que o valha, pois não serei nem farei.
Aviso também aos que restarem por aqui, que não colocarei mais veludo nas letras, antes permitirei que elas rasguem a vossa alma assim como rasgam a minha, e que não pouparei seus olhos assim como não poupo aos meus. Retratarei a vida como ela é, e não mais como eu gostaria que fosse, pois, uma coisa leitores, aprendi com as letras: A vida é o que é independente de como você olha para ela.
Obrigado! De nada! Adeus! Até mais! 
contato@patrickrene.com.br 


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Um comentário:

  1. Entrando no seu contexto.
    O jovem Patrick amava em demasia...
    O Sr. Patrick, amando com paixão...
    Ao fim de tudo compatíveis na idade, passamos a falar a mesma língua.
    Você é show nas letrinhas!
    Parabéns Guri!
    Jane Di Lello.

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