Conto,

Meu conto de natal: Um presente de amor!

16:31 Equipe Das Letras 0 Comments


Luiza olhou para as notas de real enrugadas, e as moedas empilhadas próximos a elas. Tudo o que ela tinha eram vinte reais e oitenta e sete centavos. Apenas vinte reais e oitenta e sete centavos para comprar um presente de natal para sua mãe. Como poderia comprar um presente bonito com tão pouco dinheiro? Uma nuvem de tristeza nublou seu olhar e uma lágrima escorreu pelo seu rosto.
O dinheiro que Luiza havia juntado era fruto de sua economia diária em não comprar nada de lanche na escola, mas ainda assim não era o suficiente. Sua mãe era a mulher mais batalhadora de todo o mundo, merecia um bilhete premiado de loteria, um anel de diamante, mas com vinte reais e oitenta e sete centavos nada daquilo poderia se realizar.
A mãe de Luiza, Deveneza Nielkson, faz jus ao nome de qualquer milionária de Porto Alegre, mas o nome não livrou Neza, como era chamada pelos íntimos, de trabalhar em uma cadeia de restaurantes, recebendo salário mínimo, e uma longa jornada diária de trabalho. Entretanto, o salário da mãe de Luiza era maior que vinte reais e oitenta e sete centavos.
Era início da tarde, Neza devia ter ouvido o choro de Luiza, já que ela entrou em seu pequeno quarto estampando um olhar maternal e angelical no rosto:
- Luiza, o que está acontecendo?
- Nada, eu apenas não estou me sentindo bem.
- Pois é bom você tratar de melhorar, amanhã é natal! – Luiza segurou-se, mas derramou ainda mais lágrimas com as palavras de sua mãe.
- Eu gostaria de ficar sozinha, mamãe.
- Ok, meu amor. Mas vamos pintar as bolachas de natal em uma hora!
- Ok, mãe! – Neza dançou para fora do quarto em uma tentativa de arrancar um sorriso dos lábios de Luiza. O truque funcionou. Luiza levantou-se da cama, pensando no que deveria fazer, porém sem ideias em vista, ela decidiu que seu computador, que ela dividia com a mãe, poderia ter a resposta.
Luiza escreveu no Google: “Eu tenho pouco dinheiro, como comprar um presente de natal para minha mãe?”
Tudo o que apareceram fora anúncios inúteis e de coisas caras, mas um anúncio chamou atenção de Luiza, um produto para o cabelo. Luiza pensou de imediato que o cabeleireiro comprava cabelo. Que ótima ideia!

Antes de qualquer coisa, devo explicar que Luiza tinha um oceano louro de cabelos, iam até perto de sua cintura, muitos a invejavam, e sua mãe dizia que Cinderela devia ter os cabelos daquela cor.
Chegando ao salão de beleza, o cabeleireiro a cumprimentou, com um sotaque gaúcho bem carregado:
- Buenas guria! Que posso fazer por ti?
- Eu quero que você compre meu cabelo!

- Bem, você tem um cabelo muito bom, vou lhe dar trezentos reais pela quantia até seus ouvidos, a final, não posso lhe deixar careca, posso? – Então Luiza sentou-se na cadeira pensando que seria super rápido, mas teve que lavar, secar, escovar, fazer um rabo de cavalo e, ai sim, seu oceano dourado de lindos cachos haviam desaparecido.
- Aqui esta teu dinheiro guria!
Luiza pegou a quantia e saiu correndo pela Rua dos Andradas, em direção a relojoaria, seus olhos apontaram certeiros em direção a uma corrente dourada que estava na vitrine. Duzentos e noventa reais era o preço, a corrente fazia todo sentido, já que sua mãe possuía um relógio de bolso, que ganhara de seu avô, mas que não usava mais, uma vez que havia perdido a corrente de ouro que prendia a recordação, a qual havia passado de geração em geração em sua família.
Luiza pegou o lindo embrulho feito pela atendente e pulou para fora da loja de volta a sua casa, onde de braços cruzados e com olhar severo, sua mãe de pronto a interrogou:
- Onde você foi, senhorita? – Perguntou irritada e cheia de preocupação.
- Compras de natal de última hora. – Respondeu Luiza, sorrindo.
- Meu Deus do céu! O que aconteceu com seu cabelo? Luiza, por que motivo você faria uma coisa dessas? – Perguntou a mãe passando as mãos no que havia sobrado dos lindos cabelos de sua filha.
- Eu tinha apenas vinte reais e oitenta e sete centavos, o que poderia lhe comprar? Mas porque está tão chateada, mãe? – Sua mãe lhe deu um forte abraço, pediu que Luiza pegasse um embrulho que estava na cozinha, sobre a mesa, e abrisse, mesmo sendo antes do dia de natal. Cuidadosamente, Luiza abriu o embrulho, quando olhando dentro da caixa, havia uma coleção de escovas coloridas para cabelos que a tempos a menina admirava.
- Meu cabelo cresce rápido, mamãe. Agora quero que também abra o meu presente! – Disse a menina com um sorriso nos lábios. A mãe abriu o embrulho e colocou-se a chorar.
-  Meu amor, que linda, uma corrente para o relógio do vovô. Mas eu precisei vender o relógio para comprar seu presente de natal...
Depois de perceberem a confusão e o amor que as moveu em cada atitude, abraçaram-se e riram copiosamente. Luiza e sua mãe, naquele momento, puderam compreender o mais amplo significado, não apenas do natal, mas da vida: Aprenderam que tudo, absolutamente tudo, resume-se em amor!
Boas festas!

Texto: Patrick René - contato@patrickrene.com.br
Edição: Bianca de Lucca - bianca.delucca@patrickrene.com.br 






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