Conto,
Meu conto de natal: Um presente de amor!
Luiza olhou para as notas de real enrugadas, e as moedas empilhadas próximos a
elas. Tudo o que ela tinha eram vinte reais e oitenta e sete centavos. Apenas
vinte reais e oitenta e sete centavos para comprar um presente de natal para
sua mãe. Como poderia comprar um presente bonito com tão pouco dinheiro? Uma
nuvem de tristeza nublou seu olhar e uma lágrima escorreu pelo seu rosto.
O dinheiro que Luiza havia juntado era fruto de sua economia diária em
não comprar nada de lanche na escola, mas ainda assim não era o suficiente. Sua
mãe era a mulher mais batalhadora de todo o mundo, merecia um bilhete premiado
de loteria, um anel de diamante, mas com vinte reais e oitenta e sete centavos
nada daquilo poderia se realizar.
A mãe de Luiza, Deveneza Nielkson, faz jus ao nome de qualquer
milionária de Porto Alegre, mas o nome não livrou Neza, como era chamada pelos
íntimos, de trabalhar em uma cadeia de restaurantes, recebendo salário mínimo,
e uma longa jornada diária de trabalho. Entretanto, o salário da mãe de Luiza
era maior que vinte reais e oitenta e sete centavos.
Era início da tarde, Neza devia ter ouvido o choro de Luiza, já que ela
entrou em seu pequeno quarto estampando um olhar maternal e angelical no rosto:
- Luiza, o que está acontecendo?
- Nada, eu apenas não estou me sentindo bem.
- Pois é bom você tratar de melhorar, amanhã é natal! – Luiza segurou-se,
mas derramou ainda mais lágrimas com as palavras de sua mãe.
- Eu gostaria de ficar sozinha, mamãe.
- Ok, meu amor. Mas vamos pintar as bolachas de natal em uma hora!
- Ok, mãe! – Neza dançou para fora do quarto em uma tentativa de
arrancar um sorriso dos lábios de Luiza. O truque funcionou. Luiza levantou-se
da cama, pensando no que deveria fazer, porém sem ideias em vista, ela decidiu
que seu computador, que ela dividia com a mãe, poderia ter a resposta.
Luiza escreveu no Google: “Eu tenho pouco dinheiro, como comprar um
presente de natal para minha mãe?”
Tudo o que apareceram fora anúncios inúteis e de coisas caras, mas um
anúncio chamou atenção de Luiza, um produto para o cabelo. Luiza pensou de
imediato que o cabeleireiro comprava cabelo. Que ótima ideia!
Antes de qualquer coisa, devo explicar que Luiza tinha um oceano louro
de cabelos, iam até perto de sua cintura, muitos a invejavam, e sua mãe dizia
que Cinderela devia ter os cabelos daquela cor.
Chegando ao salão de beleza, o cabeleireiro a cumprimentou, com um
sotaque gaúcho bem carregado:
- Buenas guria! Que posso fazer por ti?
- Eu quero que você compre meu cabelo!
- Bem, você tem um cabelo muito bom, vou lhe dar trezentos reais pela quantia até seus ouvidos, a final, não posso lhe deixar careca, posso? – Então Luiza sentou-se na cadeira pensando que seria super rápido, mas teve que lavar, secar, escovar, fazer um rabo de cavalo e, ai sim, seu oceano dourado de lindos cachos haviam desaparecido.
- Bem, você tem um cabelo muito bom, vou lhe dar trezentos reais pela quantia até seus ouvidos, a final, não posso lhe deixar careca, posso? – Então Luiza sentou-se na cadeira pensando que seria super rápido, mas teve que lavar, secar, escovar, fazer um rabo de cavalo e, ai sim, seu oceano dourado de lindos cachos haviam desaparecido.
- Aqui esta teu dinheiro guria!
Luiza pegou a quantia e saiu correndo pela Rua dos Andradas, em direção
a relojoaria, seus olhos apontaram certeiros em direção a uma corrente dourada
que estava na vitrine. Duzentos e noventa reais era o preço, a corrente fazia todo
sentido, já que sua mãe possuía um relógio de bolso, que ganhara de seu avô,
mas que não usava mais, uma vez que havia perdido a corrente de ouro que prendia
a recordação, a qual havia passado de geração em geração em sua família.
Luiza pegou o lindo embrulho feito pela atendente e pulou para fora da
loja de volta a sua casa, onde de braços cruzados e com olhar severo, sua mãe
de pronto a interrogou:
- Onde você foi, senhorita? – Perguntou irritada e cheia de preocupação.
- Compras de natal de última hora. – Respondeu Luiza, sorrindo.
- Meu Deus do céu! O que aconteceu com seu cabelo? Luiza, por que motivo
você faria uma coisa dessas? – Perguntou a mãe passando as mãos no que havia
sobrado dos lindos cabelos de sua filha.
- Eu tinha apenas vinte reais e oitenta e sete centavos, o que poderia
lhe comprar? Mas porque está tão chateada, mãe? – Sua mãe lhe deu um forte
abraço, pediu que Luiza pegasse um embrulho que estava na cozinha, sobre a
mesa, e abrisse, mesmo sendo antes do dia de natal. Cuidadosamente, Luiza abriu
o embrulho, quando olhando dentro da caixa, havia uma coleção de escovas
coloridas para cabelos que a tempos a menina admirava.
- Meu cabelo cresce rápido, mamãe. Agora quero que também abra o meu
presente! – Disse a menina com um sorriso nos lábios. A mãe abriu o embrulho e colocou-se
a chorar.
- Meu amor, que linda, uma
corrente para o relógio do vovô. Mas eu precisei vender o relógio para comprar
seu presente de natal...
Depois de perceberem a confusão e o amor que as moveu em cada atitude,
abraçaram-se e riram copiosamente. Luiza e sua mãe, naquele momento, puderam
compreender o mais amplo significado, não apenas do natal, mas da vida:
Aprenderam que tudo, absolutamente tudo, resume-se em amor!
Boas festas!
Texto: Patrick René - contato@patrickrene.com.br
Edição: Bianca de Lucca - bianca.delucca@patrickrene.com.br

