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QUE É A VIDA?

18:53 Equipe Das Letras 0 Comments


É talvez intrínseco ao homem, ser pensante, dotado da capacidade de raciocinar, que nalguns momentos de sua existência, questione com amplitude descomunal o sentido da vida, ao ponto de tentar atribuir a própria existência algum valor pelos pesos e medidas deste mundo terreno. Outros ainda mais desesperados, perdidos na profundeza da existência vazia e inerte, em não vendo qualquer valor na própria existência, atribuem-se o direito de dar fim ao curso da própria vida. Mas, a final, que é a vida? Qual é seu sentido? Para onde vai? Onde quer que cheguemos?
Milhares de homens e mulheres ao longo dos séculos fazem estas perguntas, sem que nenhum deles consiga penetrar o mais profundo da compreensão e do entendimento humano, e fazer-se bastar por si só. Filósofos na Grécia antiga, médicos psiquiatras, doutores do pensamento e das sinapses cerebrais, psicólogos que decifram o comportamento humano, nenhum, até hoje, pode nos dizer com qualquer comprovação que é a vida e qual seu sentido. É frustrante.
Apegados as coisas da matéria, as pretensas posses, ao efêmero poder, ao que o desterro dessa existência nos dita por valoroso, afastamo-nos do caminho do autoconhecimento, da descoberta pessoal e profunda, nos entregando a superficialidades mesquinhas e medíocres que não edificam, mas que matam o ser interior, corroem sua plenitude, e por fim, tiram-lhe a vida.
Então poderíamos afirmar que a vida é o conhecimento de si próprio e nada mais? Hora de que forma? Se somos parte e processo de um conjunto de elementos e fatores, logo não nos basta conhecer a nós mesmos se ignorarmos o que nos cerca. Se dedico-me a compreender as dores da perda de um ente querido, mas ignoro meu próximo que também teve uma perda semelhante, como posso dizer que compreendo alguma coisa? Compreenderia neste caso apenas o egoísmo de achar que minha perda é superior a de outrem. Logo, podemos afirmar que a vida é o conhecimento do todo que nos cerca, incluindo a isso nós mesmos. Sim. A isso poderíamos dizer, vida. Mas, tendo aquele que se dispôs a pensar, refletir e mudar, pois não se pode presumir compreender os mistérios do universo sem que haja mudança evolutiva, então uma vez que compreendemos que é a vida, passamos a nos questionar qual é seu sentido?
A esta pergunta também milhares tentaram dar uma resposta com pouco ou nenhum êxito, para provar suas teses, muitos fundaram religiões, filosofias, comunidades, e até países. Tudo efêmero. Inútil. Qual seria o sentido da vida que não a evolução moral e pessoal, que nos conduz ao amor, que nos leva ao perdão, que nos faz ver o próximo com os olhos do amor e não da maldade, que leva os que recusam-se a pensar, refletir e evoluir? Muitos podem tentar relativizar o sentido da palavra moral, mas o sentido é um só, o de evoluir nos bons sentimentos, a qualquer tempo. Bem é bem e mal é mal, por mais que costumes e tradições modifiquem a gênese moral, a base de bem continua sendo a mesma. Motivação: é disso que se trata!
Qualquer gênese moral que se escolha, para relativizar a questão da evolução do ser humano imaterial, é vã perda de tempo, uma vez que o que dita se uma moral é boa ou não, por certo não é a gênese da moral ou o tempo em que ela se passe, antes a motivação do exercício do fato é que determina se ele é bom ou não, se é justo ou injusto, se produz luz ou trevas.
Se milhares tentaram responder as perguntas anteriores, milhões tentaram responder para onde vai a vida, se é que vai para algum lugar. Hora, teria a vida que exige do ser a evolução e o aperfeiçoamento no bem, algum sentido se terminasse no último sopro de vida, na última batida do coração, ou nas últimas sinapses do cérebro? Viver seria uma grande tolice. Que sentido teria a existência, suas provações, dores, angustias, prazeres e alegrias, se fossemos do nada para lugar nenhum? Impera nos que assim pensam, grande pobreza de espírito, uma vez que tentam relativizar tudo com o uso de seu cérebro, quando na verdade, este é mais limitado que de um ser não pensante, ou de qualquer animal, pois não é capaz de compreender a existência das coisas incompreensíveis.
Observa o primata em uma jaula, ele é alimentado, ganha alguns brinquedos, lhe são ensinadas algumas atividades, e o mesmo desenvolve um comportamento lógico dentro da condição de existência que lhe foi proposta. Ele não será capaz jamais de aprender dançar, se nunca lhe for permitido ouvir música, mas fará todas as outras atividades de forma sistemática. O primata não terá capacidade de exercer atividades espontâneas que não tenham sido por alguma forma sugestionadas, dada a limitação de seu cérebro. Da mesma forma, aqueles que pensam levar a vida do nada a lugar nenhum, tem um cérebro limitado, incapaz de compreender a complexidade do mistério. Isso se deve em primeiro lugar ao apego a matéria, e logo depois a desconfiança em tudo e todos, logo vendo a divindade em todas as pessoas, coisas e fatos, prefere relativizar tudo a sistemática, do que abrir-se a compreensão dos mistérios.
Então para onde caminha a vida? Posto tudo sob a ótica do amor, caminha para o progresso, para a melhoria incondicional do ser, imortal, perene e moldável. Caminha para o conhecimento da expressão do amor incondicional, para a perfeição. Mas e o paraíso que todos falam? Não sejamos tolos. Que paraíso pode haver além de um lugar onde haja somente paz e amor? Acaso busca o ser humano em sua jornada, ainda que apegada a matéria mais do que amor e paz? Acaso a busca desenfreada pelo poder, riquezas e absolutos não se dá na tentativa equivocada de sentir-se amado, e por consequência em paz?
Quer saber mesmo que é a vida, para onde ela vai e a que se propõe? Apenas ame. Não faça nada além de amar. A ciência não evolui mais pelo simples fato de não ter unido raciocínio com amor. Amor. Eis o sentido de qualquer forma.

Por Patrick René - contato@patrickrene.com.br 
I.T.A 

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