Adeus flor! Jaz coração!
“O amor é uma flor delicada, mas é preciso ter coragem de ir colhê-la à beira de um precipício.”
(Sthendal)
Eu plantei uma semente, achada na rua, dessas que não se espera, apenas se encontra. Eu plantei essa semente, cuidei bem dela, foi semeada em boa terra, regada, vigiada quando pequeno broto, acompanhada durante o desenvolver das primeiras folhas. Como foi bem cuidada a pequena semente.
Entre ramos e folhas, uma espécie de broto, chamou-me atenção! Não era apenas uma folhagem normal, nem um inço, poderia ser, mas não era, tratava-se de uma flor. Não, preciso exclamar isso: Uma linda flor! Talvez a flor mais linda que eu já tenha visto, e, preciso confessar, me apaixonei. Como ser tão bela, a flor que era semente, semente desconhecida, que regada com carinho, virou flor, fez de mim, plena primavera.
Mas como toda flor, essa também secou, foi morrendo, de forma lenta, me deixando sozinho, mas não menos apaixonado por sua beleza que em minha alma ainda era tão perene. Mas era flor, e, flores não são perenes e logo desaparecem, mas nos dão consolo, pois, a cada primavera, voltam, se bem cuidadas, ainda mais lindas. Mas essa não…
Essa era de aparência linda, mas tratava-se de flor venenosa! Veio, enredou com suas cores, formas, jeito, e, depois, sem nenhuma explicação, deixou de florir. Eu, ali, continuava cuidando do que ela deixou, mas a flor, o ápice de qualquer folhagem, bem, essa, nunca mais voltou. Fiquei desesperado sem a minha flor. Partiu a flor que partiu meu coração. Chego a pensar se era mesmo flor, ou espinho? Quem sabe os dois! A mais linda das flores, tem grandes espinhos. Mas não era uma rosa. Quem dera fosse!
E assim passam-se os dias, com a imagem da flor, o perfume da flor, e, a lembrança terna, do que foi, mas que já não é mais. Flor maligna. Flor flamejante. Flor destruidora. Com seu encanto, desencantou meu coração.
Adeus flor! Jaz coração!
Por Patrick René

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