Amor,

Trepada ou amada?

17:48 Equipe Das Letras 0 Comments


Só hoje eu queria fazer amor, não sexo. Apenas hoje. Mas fui proibido, advertido de que isso não é possível, de que nos dias de hoje é preciso “trepar”, “comer”, ter “pegada” e mais do que isso, disseram-me  que “tapa de amor não dói”, que eu preciso agir como macho, um verdadeiro garanhão que satisfaz as vontades mais inimagináveis, mais rasteiras, mais mirabolantes. Que é preciso atitude firme, deixar arrasada, no chão, caída, semimorta de tesão, paixão e o que mais for cabível a vontade do ser com quem o ato for praticado, que não devo abrir a porta mas arromba-la, nada de carregar no colo e pagar a conta, o negócio é puxar a carteira do bolso e atirar o dinheiro no chão, ser grosseiro, um legítimo macho alfa.

Mas hoje eu não queria isso, só hoje eu queria abrir a porta do carro, pegar pela mão e fazê-la girar em torno de si mesma para admirar sua beleza e dizer o quanto é linda. Apenas hoje eu queria pagar o jantar, elogiar os cabelos, cada um dos fios, depois levantar primeiro, por o paletó ao seu redor mesmo não estando frio e conduzi-la até o carro, abrindo e fechando a porta novamente como se eu fosse um Lord inglês e ela minha cortejada e amada donzela. Só por um dia eu gostaria de toma-la pela mão e lentamente despir sua camisola, branca, de seda, aquela que a deixa semelhante a um anjo, um querubim. Gostaria de beijá-la toda, cada pedaço do seu corpo, chamar de meu amor, meu tesouro, minha preciosidade. Ser cafona por um dia, ser clichê por uma noite. Sair da caverna, deixar de ser um troglodita. Só por hoje...

Pero fui advertido que não posso, que isso tudo esta fora de moda, e que hoje quem procede assim tem tendências gays, ou coisas do tipo. Ouvido isso comecei a pensar tentado na hipótese de ser gay, a final se eles agem dessa maneira... Logo fui advertido de que lá, no lado gay a coisa é de igual para pior, e que mudar de lado não adiantaria. Ponderados os fatos, jantei sozinho, dormi sozinho e quanto ao meu amor...

... Eu guardei! 

Por Patrick M. C. René
patrick.canterville@aol.com

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