Amor,
Falar de sentimentos em um mundo onde as pessoas preferem o contato via WhatsApp ao invés do milenar olho no olho, mesmo estando ambos na mesma mesa é um tanto quanto fora de moda. Pode até soar ridículo, é bem verdade, mas resisto. Sou como uma mula: Teimosa!
contato@patrickrene.com.br
Uma parte de mim é saudade, a outra solidão!
Falar de sentimentos em um mundo onde as pessoas preferem o contato via WhatsApp ao invés do milenar olho no olho, mesmo estando ambos na mesma mesa é um tanto quanto fora de moda. Pode até soar ridículo, é bem verdade, mas resisto. Sou como uma mula: Teimosa!
Uma das melhores invenções da tecnologia, para mim,
foram os aparelhos de TV por assinatura que gravam a programação. É verdade que
o extinto vídeo cassete o fazia também, mas são outros tempos, não é mesmo? Meu
aparelho tem uma gravação quase que sagrada, todos os dias, de segunda a
segunda, no TCM, pela manhã, duas horas são reservadas a gravar Os Pioneiros, série
americana da década de 70, gravada nos Estados Unidos e que conta a história de
um pequeno povoado, no oeste americano, Walnut Grove, onde vive a família Ingalls. A versão
original recebeu o nome de Little House on the Prairie tendo sido produzida pela NBC por quase 10 anos. Uma
produção de Michael Landon, que é também o protagonista.
Eu não vou aqui fazer uma resenha
da série, até porque são quase 10 anos de produção e que não se podem resumir em
um único texto, quiçá num livro. Mas sempre que vejo a série, quando esta não
me põe a rir, me faz chorar. Lindas histórias, que na década de 70, ainda
quando nem se imaginavam os aplicativos para smartphones já se tratavam de
assuntos como fé, família, preconceito de cor, de sexo, se falava de amor aos
animais, mas o que mais me encanta é que se olhava olho no olho, se dizia a
verdade, se tinha amor aos amigos, a palavra empenhada valia mais que o papel.
As pessoas eram boas!
Hoje, mais de um século depois dos
anos em que se passavam a série muita coisa mudou, quase não sabemos a cor dos
olhos de ninguém, pois esse alguém é identificado mais pelo número de celular
que pelo próprio nome. Aliás não sei por qual motivo ainda hoje os pais colocam
nomes nos filhos, deveriam apenas dar-lhes ao nascer um chip pré-pago com
internet ilimitada e pronto. O filho estaria criado. Sei que estou exagerando
(ou não), mas a questão é que perdemos o calor humano de nossas relações,
perdemos a percepção da alma, esfriamos o coração, e por fim, endurecemos nossa
alma.
Sinto saudade do que nunca vivi,
do que nunca tive ao assistir essa série. Amigos que se unem para ajudar o
outro, pessoas reunidas na igreja, não para falar da vida alheia ou para ser um
“cristão” melhor aos olhos dos outros mas para serem quem realmente são. Abraço
apertado, crianças pulando amarelinha, tomando banho de rio, puxando o rabo do
cavalo, bebendo leite da vaca... Uma simplicidade tão complexa para nós, do
século dos algoritmos matemáticos, dos smartphones, da internet...
Não conhecemos mais o que é ser
“humano”. Falam tanto em criar inteligência artificial, mas, pergunto: Quer
mais artificiais do que somos hoje? Verdade que somos inteligentes, mas a que
preço? Quanto custou a nossas vidas termos televisores de plasma, led,
computadores com processadores cada vez mais ágeis, lâmpadas econômicas,
aparelhos sem fio, telefones, e-mail? Custou o preço de nossas almas! Não que
seremos entregues ao diabo, mas fomos arrancados de nós mesmos! Roubaram nosso
tempo, nossos amigos. Que mais perderemos?
As igrejas estão abarrotadas de
pecadores que se sentem culpados, mas cada dia mais em não havendo dinheiro
para o lazer as igrejas formam pecadores, dando a cada um seu saco de culpas, e
transmitem seus cultos pela internet por onde também se pode pagar o dízimo.
Tudo é virtual, inclusive o caráter.
Queria jantar com os Ingalls,
depois ouvir Charles tocar violino caipira enquanto as crianças dançam ao redor
da mesa, a esposa corta a torta de frutas que colheu mais cedo junto com as
crianças, ao som dos grilos, das árvores, da noite... Olho pela janela, mas
tudo que vejo é o reflexo de meu celular brilhando, mais de 100 mensagens no
WhatsApp... Mas estou sozinho, e bem, essa é a questão!
contato@patrickrene.com.br


Ótimo texto Patrick.
ResponderExcluirDifícil encontrar quem te ama olho nos olhos e não apenas explicitamente nas redes sociais.
Beijos