Abuso sexual,
Não podemos salvar todos!
Michelle* é uma menina magrela, de cabelos loiros,
olhos pretos como duas jabuticabas, e sua brincadeira preferida é pentear sua
boneca que carinhosamente chamou de Lili, feita de um sabugo de milho e envolta
em um pedaço de pano que Michelle* rasgou de sua própria roupa. Ela tem 12
anos, desde os 9 mora em uma fazenda, no porão de uma grande casa, onde passa
seu tempo livre acorrentada, pois durante o dia trabalha no campo como escrava
rural e a noite é vendida como escrava sexual. O “cafetão” de Michelle* mantém
em sua fazenda mais 9 crianças que trabalham na mesma função, são alimentadas
com restos de comida e ração para animais, exceto quando alguma das meninas
fica grávida depois de um estupro, ai então, todos recebem comida para que a
criança possa nascer saudável e ser vendida para algum dos milhares de
pervertidos sexuais mundo a fora, que gostam de criar desde a infância suas
vítimas. Qualquer deslize de uma das crianças é punido com severidade, indo
desde espancamentos com varas e cintos até queimaduras com velas e gasolina,
quando não a morte.
Dados extraoficiais revelam que existem mais de 20
milhões de crianças no mundo vivendo em situações semelhantes a de Michelle*,
vítimas de grandes esquemas de prostituição, tráfico humano, em uma teia que se
espalha pelo mundo todo, onde crianças são vendidas e exportadas de seus países
com mais facilidade do que no Brasil enviamos laranjas para o exterior. Muitas
dessas crianças são comercializadas pelos próprios pais, outras são tiradas de
suas famílias, vítimas de raptos e sequestros. Apenas uma coisa é certa em toda
essa história de horror: A morte!
Enquanto no Brasil um Congresso Nacional inteiro se
movimenta para barrar ou não o direito dos homossexuais, fazendo dessa tolice
centro das atenções de campanhas presidenciais, crianças são levadas do país,
quando não escravizadas e violentadas aqui mesmo, deixando a polícia de mãos
atadas com leis que protegem os criminosos pois não são atualizadas a mais de
três décadas, tornando a justiça ineficaz, injusta e conivente. Nos Estados
Unidos, estima-se também de forma extraoficial que mais de 18 mil crianças
vivam nessa situação, imaginemos então o que não acontece na África e no
oriente médio?
Alguém precisa ouvir o grito dessas crianças! Alguém
precisa parar todo esse sofrimento! Eu imagino a sensação de impotência dos
policiais e investigadores que com verbas escassas, estrutura sucateada, e
salários miseráveis, precisam ver todos os dias crianças passando por todo tipo
de humilhação, dor e tortura, e pensar: “Não podemos salvar todas!” – Quem poderá?
Meus Deus do céu, em que mundo nós estamos vivendo?
Até onde vai a crueldade do ser dito humano? E o que você tem feito a respeito
disso? Quantas pessoas veem crianças se prostituindo pelas ruas e não denunciam
as autoridades? Quantos sabem que o vizinho, o amigo, colega de trabalho “contrata”
os serviços de menores de idade e não faz absolutamente nada. Quem é o monstro
nesse caso?
As crianças estão chorando, estão implorando ajuda e atenção,
mas como ouvirão seus gritos, se ninguém se dispõe a ir ao encontro delas?
Na próxima eleição quando você encontrar seu deputado,
senador, pergunte a ele ou a ela se eles conseguem ouvir o choro dessas
crianças? Quando for mandar um e-mail, comentar em uma rede social, opinar
sobre quem pode casar com quem, e o que a bíblia diz sobre certo ou errado,
reserve um tempo para comentar sobre as milhares de crianças que gemem de fome,
frio e dor! Antes de se escandalizar com a liberação da maconha, com a corrupção,
pergunte quem esta tentando mudar nossas leis velhas, inúteis e antiquadas?
Nós não podemos salvar todas, mas podemos gritar junto
com elas!
Pensar não dói!
contato@patrickrene.com.br
*Michelle é um nome fictício, bem como sua história, qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.


Caramba, precisamos de muita evolução, eita planetinha.
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