amigos,
Uma vela. Uma criança. Um mundo.
Hana* é uma
menina de 7 anos, nascida na Síria, Zara*, sua mãe, morreu quando a menina tinha menos
de 2 anos, vítima de um ataque a um templo religioso na Síria. A tia de Hana,
única sobrevivente do atentado, decidiu partir daquele lugar de guerras e
conflitos, levando consigo o único bem que lhe restou depois de uma vida de
violência e humilhação, a pequena Hana. Decidida a recomeçar sua vida ao som de
algo que não fossem tiros e pranto, Soraya, tia de Hana, inicia então uma dura
jornada rumo a Europa, depois de ter trabalhado como escrava sexual em um
estabelecimento de rebeldes sírios por mais de 4 meses, juntando dinheiro para
sua empreitada.
Não muito
longe dali, no Iraque, região de fronteira com a Síria, Igor*, um menino de 5 anos, joga futebol com seus irmãos
no vilarejo famélico onde mora. Fatime, sua mãe, observa atenta da janela
enquanto seu marido, Omar*, retorna com o suprimento de água que será utilizado
pela família nos próximos dias. O que nenhum deles sabia é que em menos de 5
minutos, após o retorno de Omar, carros de rebeldes xiitas invadiriam o
vilarejo, ateando fogo nas casas e matando a rajadas de metralhadora todos que
estivessem naquele lugar. Da família de Igor, restaram apenas ele e seu pai que
estava chegando com o suprimento de água. Omar e Igor, pai e filho, decidem
fugir daquele lugar, abrindo mão de suas raízes e do pouco que tinham,
iniciando uma jornada de sofrimentos e desventuras a fim de chegarem a Paris,
onde estariam a salvo da violência e da fome.
Distante
dali, no continente africano, mais especificamente na Líbia, vive Jamil*, um
jovem de 18 anos que perdeu seus pais ainda criança,
vitimados pela violência. Jamil, ainda adolescente, descobriu ser diferente dos
demais: Jamil é gay! Violentado e ameaçado de morte pelos líderes religiosos de
sua terra, Jamil decide iniciar uma longa
peregrinação rumo ao direito de ser ele mesmo, Jamil vai a Paris.
Do outro
lado do mundo, nos Estados Unidos, uma congregação cristã radical doutrina
incessantemente jovens de 12 a 18 anos, para servirem a “deus” no “Exército dos Santos”, que tem como objetivo vingar os cristãos que foram mortos pelos extremistas
islâmicos e desta maneira “servir” ao seu deus. Enquanto
se preparam no acampamento da igreja, Dick*, um jovem de 15 anos, começa sua empreitada de livrar o mundo do
pecado, iniciando por sua própria casa, quando, ao ouvir a “voz de deus” que
usou a boca de seu líder religioso, mata a pedradas sua mãe, por ter se casado
novamente depois de viúva. Segundo o jovem Dick, ele estava “matando a carne” mas salvando a alma de sua mãe.
Outros jovens da congregação de Dick se preparam para sair do país natal que os
“oprime” e ingressarem na França onde darão continuidade à sua missão.
Já em território europeu, Hana e sua tia Soraya*
comemoram felizes o fato de terem escapado com vida do lugar que lhes tirou
tudo. Finalmente pode haver esperança no coração das duas. Omar e Igor também
chegaram a Paris, sentados sobre a sombra de uma grande árvore contemplam o som da paz, que não é
necessariamente o silêncio, mas a ausência de explosões e gritos. Jamil também
chegou à França, foi acolhido por uma organização de amparo a homossexuais e
vai dar inicio a seus estudos. Os membros da congregação cristã americana também
já estão na capital francesa, orando a seu deus para que tenham êxito em sua
“missão”. Lá mesmo em Paris, em um apartamento da região central, um grupo de
ativistas pró Islã fazem suas últimas orações antes de darem inicio ao atentado
programado para o dia. Hana, Soraya, Omar, Igor, Jamil, os jovens da
congregação americana estão todos na fila da imigração, isto é, uma força
tarefa montada pelo governo da França para registrar os emigrantes. Ouve-se o
primeiro tiro: os membros do grupo ativista pró Islã começam atirar, quando
chega William*, um jovem francês vítima de constantes agressões e humilhações na escola que disposto a vingar-se do
mundo, dispara incessantemente contra os radicais islamitas também sendo
atingido por um dos membros da organização cristã americana.
Hana,
Soraya, Omar e Igor, morreram sem contemplar a paz que tanto queriam, morreram
em meio a guerra buscando a paz. Jamil morreu por ser gay, por estar no lugar
errado. Os membros da congregação cristã morreram por serem cristãos e por não
terem tido oportunidade de matar primeiro, os islamitas rebeldes morreram
por não olharem para trás e verem chegar
William, o jovem que não era gay, nem cristão, nem islamita, nem judeu, não era
nada, apenas humilhado por ser diferente. Morreram todos.
O mundo não
precisa de religião, nem de defensores de minorias, tampouco precisa de grandes
líderes, o que o mundo precisa mesmo é de um pouco mais de tolerância.
A
intolerância mata. Os intolerantes também.
Pensar não
dói... Já ser ignorante...
*Os nomes são de personagens fictícios, qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.
contato@patrickrene.com.br


Verificado!
ResponderExcluirPerfeitoooo! Estou simplesmente apaixonada por sua criatividade.
ResponderExcluirVocê conseguiu se expressar perfeitamente com essa história. Mesmo sendo uma história muito triste...
Eu já tinha lido seu post, mas volto a falar: é uma paulada. Há muitas coisas que vemos na vida e que tratamos como causa, mas na verdade são sintomas de algo muito maior. Vi esse algo maior no seu texto!
ResponderExcluirParabéns =D
Fiquei emocionada com esse texto!! Quando comecei a ler, fiquei meio sem entender o que cada um tinha a ver com o outro! Mas quando chegou o final, fiquei impactada!! Apesar do final triste amei demais!! Espero que esse texto alcance muita gente e faça todos refletirem!
ResponderExcluir~Athene