evolução
O AMOR QUE NOS CURA!
Na falta de perdão, abre-te ao esquecimento.
Se existe algo capaz de conduzir a
pessoa humana pelos rumos da evolução, este algo se chama perdão. Não atende
por nenhum outro nome, não se encontra a venda nem pode ser capturado. Seu
cultivo advém de uma atitude pessoal, de um desejo íntimo de colocar-se absorto
em profunda resignação, e daí, só então, liberá-lo, expulsa-lo do mais profundo
do ser, como quem detona uma bomba e provoca grande explosão. Nesse caso, uma
explosão de piedade.
O que falta ao mundo, em muito, nem
tanto é perdão, mas a capacidade de autocritica, que nos conduz a piedade, e
que só então nos permite o sublime dom de perdoar. Quem julga não perdoa, a
final, o perdão é o ato concreto e avesso ao julgamento, é a inércia de
apontamentos, a indiferença ao ato, é permitir-se dar de ombros a ferida que
sangra, é colocar-se no lugar do indefensável, e ai, então, detonar, explodir
piedade e perdão.
Entretanto perdoar não é esquecer,
antes é a ausência do sentimento de vingança, de pensamentos maus contra aquele
que lhe feriu. Não trata-se de esquecer o mau recebido, nem quem o praticou,
mas permitir a si mesmo começar de novo, sem agrilhoes mentais que o levarão
centenas de vezes a sentir a mesma dor. Quem não perdoa não causa dano a quem
não é perdoado, antes a si mesmo, que revive incontáveis vezes a mesma dor,
chora as mesmas lágrimas, e reabre as mesmas feridas.
A piedade não trata apenas o autor da
maldade, é antídoto contra a vingança, o mais baixo de todos os sentimentos, e
por isso, a piedade, trata antes a própria vítima, para só então ter alguma
ação no ser que precisa ser perdoado e que clama ou não por piedade. Ter
piedade do próximo é providenciar o próprio remédio, para curar as próprias
feridas.
No caminho da evolução somos todos
caminhantes, e caminhar ferido dificulta e retarda a chegada, logo a
insistência em perdoar para evoluir, refere-se a que o caminhante caminhe
pleno, curado de suas feridas, e não se trata de curar as feridas dos outros,
pois quando se perdoa alguém que nos causou o mal, na verdade estamos curando
nossas próprias feridas, tratando nossas próprias dores e por consequência
salvando a nós mesmos.
Quando negamos o perdão a uma pessoa,
negamos tratamento as nossas próprias dores. Piedade é a estrada, perdão é a
possibilidade de continuar andando, de chegar ao objetivo, de alcançar a
plenitude a que nos propomos como meta individual. Se conseguiremos seguir pela
estrada até o pódio de nossos objetivos, isso depende apenas de nossa
capacidade de perdoar.


Texto belíssimo, verdadeiro, de uma sensibilidade tocante.
ResponderExcluirParabéns Patrick René!
Excelente texto! Creio que todos nós somos seres em processo de evolução, certamente que o perdão é algo muito importante neste processo. Se perdoar o outro já é difícil, imagine perdoar a nós mesmos. Reconhecer já é o caminho. Parabéns!
ResponderExcluirwww.pilateandosonhos.com