Amor
VOCÊ [FOI] MEU UNIVERSO!
E se? Era tanto amor, tanta loucura, emaranhada entre sentimentos reais e
doença que se tornava impossível discernir o presente com alguma lógica
ou razão. É quando a pessoa se perde de si mesma e passa orbitar o
universo da outra. Quando dor, angústia e medo se transformam na
tradução de um sentimento que chama-se de amor, mas na verdade é pura
doença.
Ela
era meu universo, o primeiro pensamento da manhã, o último antes de ser
dominado pelo sono, e até nos sonhos, ela estava lá. Remédio que
também era veneno, dos que matam lentamente, de dentro para fora, sem
piedade, sem antídoto para salvar o coração de se partir
em mil pedaços.
Acontece
que o tempo cura tudo, e isso não é ser clichê, é ciência. Quintana diria
que é a ciência de quem morreu de amor, mas continuou vivendo. Eureca!
Como em outros tempos eu poderia imaginá-la nos braços de outra pessoa,
dando-lhe seu amor, seus beijos, suas carícias, sua atenção? Alguém que
não fosse eu? Que me devotei a ela como um fiel se devota ao santo? Que vivi mais a sua vida que a minha própria? Como eu poderia observar
cada parte do seu corpo entregue a outra pessoa e ainda assim continuar
vivendo?
Acontece
que eu vi! Observei cada parte do seu corpo tocando o corpo de outra
pessoa, seus lábios beijando outra boca, suas mãos segurando mãos que
não eram minhas, sua mente fazendo planos que nem mesmo lembravam minha existência... Eu vi tudo, eu compreendi tudo, e finalmente percebi
que o tempo não apenas cura mas também liberta. Que não apenas nos
demove de um "amor" mas ao nos tirar do estado de doença, nos leva a luz, e
nos permite ver…
Ver
que o santo não era nem de longe tão belo, que suas
mãos não eram tão macias, que seus lábios eram frios, que seus carinhos
eram superficiais, seu caráter era dúbio, sã consciência
eu jamais a elegeria para passar se quer uma hora do meu dia... Eu pude
ver que não suportaria mais nem mesmo ouvir o som da sua voz, a voz de
quem já foi o meu tudo, o meu universo.
É
que o tempo cura, faz voltar a visão, nos permite pensar sem tanta
emoção, nos diz que amor quando nos rouba de nós mesmos não é
sentimento, é doença sem cura, veneno que mata, solidão que aproxima. Resta agradecer ao tempo que permitiu mais que a cura, a objetiva visão.
Que o tempo só não cura, o que não lhe da o devido tempo.


Patrick soprando amor nos corações da gente. Adoro seus textos. Ímpar.
ResponderExcluirObrigado, Rafa sua querida!
ExcluirAdoro lhe receber por aqui!
OmG que é isso? Voltou apaixonado é???
ResponderExcluirPode parar com isso...
Lindo texto, amigo!
Te adoro!
Luuu
Nem vou responder...
ExcluirJe T'aime
Olá de volta!
ResponderExcluirDe volta tu e eu, ahah.
Por essas e por outras amo tanto Florbela Espanca e Fernando Pessoa, que tanto se afundavam nessa loucura que é estar doente de amor. O quão sublime é também sofrer de amor, perder-se e voltar a encontrar-se... Crescer mais um ramo dentro da nossa mente de sabedoria.
Apenas temos de ter o cuidado para que esse ramo não roube a luz daquela pequena flor que se encontra no solo do nosso coração. São tantos que o fazem, deixando-se menos iluminados.
Uma forte luz para todos esses!
Yo... Interessante teu theme :) Sempre a inovar! eheh
Um Abraço!
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Elogio seu não vale!
ExcluirJe t'adore!
Belo texto! Se ainda não curou, vamos dar mais tempo!
ResponderExcluirUm abraço.
Ah o amor... O que seria de nós sem ele? Doloroso, prazeroso, engrenagem da vida.
ResponderExcluirDores e amores, é a vida, é a vida.
Já o tempo, aquele que parava ao tocar dos lábios e parecia interminável pela ausência do outro, ah o tempo um dia volta. Volta para curar e nos devolver a nós mesmos.
Lindo texto! Reflexão realista e poética do que é a vida.
www.pilateandosonhos.com