Amor

VOCÊ [FOI] MEU UNIVERSO!

15:20 Equipe Das Letras 8 Comments

E se? Era tanto amor, tanta loucura, emaranhada entre sentimentos reais e doença que se tornava impossível discernir o presente com alguma lógica ou razão. É quando a pessoa se perde de si mesma e passa orbitar o universo da outra. Quando dor, angústia e medo se transformam na tradução de um sentimento que chama-se de amor, mas na verdade é pura doença.

Ela era meu universo, o primeiro pensamento da manhã, o último antes de ser dominado pelo sono, e até nos sonhos, ela estava lá. Remédio que também era veneno, dos que matam lentamente, de dentro para fora, sem piedade, sem antídoto para salvar o coração de se partir em mil pedaços.

Acontece que o tempo cura tudo, e isso não é ser clichê, é ciência. Quintana diria que é a ciência de quem morreu de amor, mas continuou vivendo. Eureca! Como em outros tempos eu poderia imaginá-la nos braços de outra pessoa, dando-lhe seu amor, seus beijos, suas carícias, sua atenção? Alguém que não fosse eu? Que me devotei a ela como um fiel se devota ao santo? Que vivi mais a sua vida que a minha própria? Como eu poderia observar cada parte do seu corpo entregue a outra pessoa e ainda assim continuar vivendo?

Acontece que eu vi! Observei cada parte do seu corpo tocando o corpo de outra pessoa, seus lábios beijando outra boca, suas mãos segurando mãos que não eram minhas, sua mente fazendo planos que nem mesmo lembravam minha existência... Eu vi tudo, eu compreendi tudo, e finalmente percebi que o tempo não apenas cura mas também liberta. Que não apenas nos demove de um "amor" mas ao nos tirar do estado de doença, nos leva a luz, e nos permite ver…

Ver que o santo não era nem de longe tão belo, que suas mãos não eram tão macias, que seus lábios eram frios, que seus carinhos eram superficiais, seu caráter era dúbio, sã consciência eu jamais a elegeria para passar se quer uma hora do meu dia... Eu pude ver que não suportaria mais nem mesmo ouvir o som da sua voz, a voz de quem já foi o meu tudo, o meu universo.

É que o tempo cura, faz voltar a visão, nos permite pensar sem tanta emoção, nos diz que amor quando nos rouba de nós mesmos não é sentimento, é doença sem cura, veneno que mata, solidão que aproxima. Resta agradecer ao tempo que permitiu mais que a cura, a objetiva visão.

Que o tempo só não cura, o que não lhe da o devido tempo.

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8 comentários:

  1. Patrick soprando amor nos corações da gente. Adoro seus textos. Ímpar.

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  2. OmG que é isso? Voltou apaixonado é???
    Pode parar com isso...
    Lindo texto, amigo!
    Te adoro!
    Luuu

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  3. Olá de volta!
    De volta tu e eu, ahah.

    Por essas e por outras amo tanto Florbela Espanca e Fernando Pessoa, que tanto se afundavam nessa loucura que é estar doente de amor. O quão sublime é também sofrer de amor, perder-se e voltar a encontrar-se... Crescer mais um ramo dentro da nossa mente de sabedoria.

    Apenas temos de ter o cuidado para que esse ramo não roube a luz daquela pequena flor que se encontra no solo do nosso coração. São tantos que o fazem, deixando-se menos iluminados.
    Uma forte luz para todos esses!

    Yo... Interessante teu theme :) Sempre a inovar! eheh

    Um Abraço!

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  4. Belo texto! Se ainda não curou, vamos dar mais tempo!
    Um abraço.

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  5. Ah o amor... O que seria de nós sem ele? Doloroso, prazeroso, engrenagem da vida.
    Dores e amores, é a vida, é a vida.
    Já o tempo, aquele que parava ao tocar dos lábios e parecia interminável pela ausência do outro, ah o tempo um dia volta. Volta para curar e nos devolver a nós mesmos.
    Lindo texto! Reflexão realista e poética do que é a vida.

    www.pilateandosonhos.com

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